Category Archives: crise económica

O capitalismo não cairá por estar podre

Os fazedores de opinião progressistas e de esquerda têm contribuído para criar uma ideia de crise que não existe, já que o grande capital está de boa saúde e a aumentar os lucros. A insistência de que o capitalismo encerra em si contradições que o fará entrar em crise e colapsar tem sido uma constante e é um grave erro estratégico da parte das forças opositoras ao capitalismo, que se repete na actual conjuntura. A crise é uma crise da classe trabalhadora e das pequenas e médias empresas e tem sido alimentada pela ganância das grandes empresas, com a ajuda dos Estados e a cumplicidade dos patrões dos sindicatos. Com a percepção pública da existência da crise, corroborada pelos fazedores de opinião progressistas crentes nas contradições internas do capitalismo que o derrotarão, cria-se a receptividade às medidas de austeridade e recuo dos direitos e desmobiliza-se a contestação social.

A ler no Voltaire Net o artigo de James Petras que sustenta estas teses: Que crise económica? Os lucros aumentam!

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Círculo Dourado


De uma investigação feita pela TASC (think thank irlandês) sobre o Círculo Dourado dos negócios públicos e privados na Irlanda.

  • “A network of 39 individuals held powerful positions in 33 of 40 top public organisations and private Irish businesses in three of the critical Celtic Tiger years (2005-2007), and held more than 93 directorships between them in these companies during this period; as well as an average of ten directorships each in other companies.”
  • “More than a quarter (eleven) of the 39 members of the Director Network were particularly well-connected. They had ten or more links, via these multiple directorships, to other members of this Network and/or sat on three, four or even fve boards of the top 40 companies simultaneously”
  • “The research demonstrates a signifcant lack of diversity among members of the Director Network; for example, only one in nine directors was a woman. Severe gender imbalance and similarities in world view and experience may lead to persistent ‘groupthink’; that is decision-making that ignores alternative evidence as a result of a group’s desire to reach consensus. One major contributing factor to this is where group members all come from similar backgrounds.”

São os Ulrichs e os Varas lá do sítio. São poucos, homens, provenientes do mesmo meio social e pensam da mesma maneira. Ah! E têm em sua posse, digo eu, uma imensidade de riqueza pertencente a quem produz. O que fazia falta era ir lá buscá-la.

O Círculo Dourado Português

-Mata da Costa: Presidente dos CTT, 200.200 Euros
-Carlos Tavares: CMVM, 245.552 Euros
-Antonio Oliveira Fonseca: Metro do Porto, 96.507 Euros
-Guilhermino Rodrigues: ANA, 133.000 Euros
-Fernanda Meneses: STCP, 58.859 Euros
-José Manuel Rodrigues: Carris 58.865 Euros
-Joaquim Reis: Metro de Lisboa, 66.536 Euros
-Vítor Constâncio: Banco de Portugal, 249.448 Euros (este é que pode pagar
mais IRS)
-Luís Pardal: Refer, 66.536 Euros
-Amado da Silva: Anacom, Autoridade Reguladora da Comunicação Social,
ex-chefe de gabinete de Sócrates, 224.000 Euros
-Faria de Oliveira: CGD, 371.000 Euros
-Pedro Serra: AdP, 126.686 Euros
-José Plácido Reis: Parpública, 134.197 Euros
-Cardoso dos Reis: CP, 69.110 Euros
-Vítor Santos: ERSE, Entidade Reguladora da Energia, 233.857 Euros
-Fernando Nogueira: ISP, Instituto dos Seguros de Portugal, 247.938 euros
(este não é o ex-PSD que se encontra em Angola !! )
-Guilherme Costa: RTP, 250.040 Euros
-Afonso Camões: Lusa, 89.299 Euros
-Fernando Pinto: TAP, 420.000 Euros
-Henrique Granadeiro: PT, 365.000 Euros

Robin Bank e a insubmissão bancária

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Insubmissão bancária é como chama Eric Duran, ou Robin Bank como ficou conhecido, a pedir dinheiro aos bancos com o propósito de não pagar. Em Setembro de 2008, publicou um texto num jornal alternativo catalão em que informava o mundo que havia pedido 492.635 mil euros emprestados a 39 bancos espanhóis e que não os tencionava pagar. O objectivo era sabotar o sistema bancário, mostrar uma forma directa de atacar o capitalismo, motivar o debate social sobre as instituições financeiras, usando os proveitos do golpe para financiar lutas pela transformação social.

O que ele propõe para o imediato é uma greve geral mundial à banca. Deixarmos de ser clientes bancários. É impraticável? A mim parece-me que a vida é que está impraticável, os 70.000 novos desempregados de segunda-feira que o digam. Se um número significativo de pessoas deixasse de pagar as dívidas e tirasse o dinheiro dos bancos como reagiria o sistema financeiro? Ou, posto de outra forma, qual seria o número mínimo necessário de dissidentes bancários para fazer colapsar o sistema financeiro?

Ao mesmo tempo, Eric Duran fala do que é preciso para que se crie uma alternativa, pela qual lutam muitos movimentos sociais: «gerar actividade produtiva autónoma, através de redes de intercâmbio, de recuperação de práticas comunitárias e de um mercado social». Ou seja, descentralizar, decrescer, autonomizar, retomar o controlo da vida, da produção, do consumo, das decisões políticas.

O acto de Duran foi arrojado, obriga-o a estar fugido da “justiça”, encontra-se actualmente exilado na América Latina, embora com um bocado de sorte os bancos nem apresentem queixa com medo da repercussão que o caso possa ter na opinião pública e do aparecimento de replicadores. Muitos revolucionários seguiram a via da expropriação bancária, os anarquistas contam com muitos casos nas suas fileiras. Este tem o mérito de criar identificação com todas as pessoas que vivem esganadas com empréstimos bancários a juros altíssimos e que já pensaram por diversas vezes o quanto melhoraria a sua vida se pudessem simplesmente deixar de os pagar.

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