Category Archives: media

A informação corporativa por Júlio Magalhães, Director de informação da TVI

«O que acontece hoje é vermos jornalistas que vão para assessores e depois voltam para as redacções, fazem comissões na política e regressam ao jornalismo, são todos muito amigos uns dos outros… portanto o que há é conversas. Os políticos hoje têm uma porta de acesso tão fácil aos jornalistas que é quase como se fossem de casa, de amigos.»

«Nós sabemos que no jornalismo de hoje muitos jornalistas têm acesso a fontes e a histórias que não podem contar por serem amigos… Infelizmente é assim.»

«quando comecei no jornalismo, nos anos 80, as relações dos jornalistas com o poder político e económico não eram assim. Até porque as coisas mudaram, com os grandes grupos económicos envolvidos nos media. E os políticos perceberam que tudo se joga na comunicação social, portanto chamaram para o seu lado muitos jornalistas. Isso gera uma intimidade entre classes que joga a favor de todos nos interesses, mas que também prejudica todos na essência do que é o jornalismo e do que é a política ou a economia.»

«O jornalismo faz-se à conta de fontes, de amigos. Os jornalistas hoje quase não têm de investigar porque as coisas vêm ter com eles. O que é preciso é mantermos um determinado equilíbrio entre regras éticas e alguma noção do que é o jornalismo. Isso vai-se conseguindo. A nós compete-nos depois contar bem as histórias.»

ionline

Mais propaganda anti-libertária encapotada

A imprensa corporativa é mesmo muito fraca. Grande parte dos seus artigos têm pouco ou nenhum rigor e é preciso andar com os olhos bem abertos para filtrar o lixo ideológico e os factos criados na redacção, do que realmente se passa e devia ser notícia. Uma tal de Maria João Guimarães, do pasquim diário Público, assinou um artigo com este título e introdução

Alemanha: a selecção multikulti provoca reacções extremas
Os anarquistas não gostam das bandeiras de apoio – acham que é um sinal de nacionalismo perigoso. E os neonazis não apoiam uma selecção que dizem ser pouco alemã. O futebol desperta paixões. Na Alemanha, a selecção nacional com mais diversidade étnica de sempre tem provocado reacções extremas.

Gastam-se somas imensas em material de guerra, provocam-se guerras com falsas razões, leva-se à pobreza milhões e milhões de pessoas em todo o mundo com o novo colonialismo económico neoliberal, mas os extremistas para esta sumidade jornalística são os anarquistas. Os fascistas cometem crimes de ódio violentos e covardes contra imigrantes, mas esta criatura escrevente mete-os no mesmo saco das reacções extremas junto com a destruição de bandeiras dos anarquistas. Os fascistas desejam uma selecção étnica e biologicamente pura. Os anarquistas combatem o racismo e todos os chauvinismos, o que no entendimento esclarecido da escriba os aproxima.

Bassal, o alemão de origem libanesa que tem uma bandeira gigante no prédio da sua loja, é bem mais honesto na sua análise: «Para os fascistas, somos estrangeiros. Para os anarquistas, somos… Bem, na verdade não faço ideia do que eles acham que somos.”» És um ser humano, caro Bassal, como outro qualquer. Combatemos o nacionalismo que nos agride, não a tua pessoa.

Pequenas vitórias que contam

A Greenpeace afirma ter conseguido fazer a gigante multinacional Nestlé recuar nas suas actividades destrutivas na Indonésia através da força das redes sociais. O que se passou foi que o departamento de marketing da Nestlé cometeu o velho erro de tentar censurar um vídeo no Youtube e com isso atiçou a curiosidade dos internautas gerando muita má publicidade.

A Greenpeace acusa a Nestlé de estar ligada através de subsidiárias à desflorestação na Indonésia.

A força da Internet e particularmente das redes sociais, sobretudo nesta era de um excesso absurdo no fluxo de informação, está mais na capacidade de estabelecer ligações do que na mera difusão de conteúdos. Como disse o activista da Greenpeace: “It’s no longer about broadcasting, it’s about interaction”.

Direita e extrema-direita em peso na Internet

2 de cada 3 ciberactivistas son votantes del PP y la extrema derecha gestiona las web más activas

Dá-me a ideia que por cá a coisa não será muito diferente. O que leva a pensar que passados uns anos – e já se passaram uns anos de web generalizada – se poderão começar a ver os resultados do investimento feito na propaganda e na formação de uma opinião de direita e extrema-direita bem preparada para o confronto ideológico. É de supor que se esteja a formar uma geração de activistas com experiência no debate e com uma argumentação convincente e cada vez mais difícil de contrapor, e se assim for a influência na opinião pública será inevitável.

Em particular, a expressão libertária na Internet “portuguesa” anda pelas ruas da amargura. Alguém com interesse em conhecer as ideias anarquistas e que se lembre de procurar na Internet terá muitas dificuldades pela frente.

Democratização dos media na Argentina

Uma lei de Outubro deste ano acabou com o monopólio das grandes corporações sobre o espectro de emisões de rádio e de televisão na Argentina, que passam a estar distribuidas em um terço para o sector público, um terço para organizações sem fins lucrativos e o terço restante para os privados.

Na origem desta lei está uma vasta rede de organizações sociais, a Coalición por una Radiodifusión Democrática, com mais de 300 grupos, incluindo redes de meios de comunicação comunitárias como o Foro Argentino de Radios Comunitarias (FARCO) e a Asociación Mundial de Radios Comunitarias de Argentina (AMARC), sindicatos, cooperativas, grémios de imprensa e televisão, actores e músicos vinculados com a Central de Trabajadores de Argentina (CTA) e a Central General de Trabajadores (CGT), grupos de direitos humanos como as Mães da Plaza de Mayo e jornalistas e académicos sobretudo da área das Ciências da Comunicação. Esta redefinição do panorama mediático tem para a coligação três funções vitais: difusão de informação alternativa, criação de espaços para a voz popular, especialmente a voz dos que até aqui não encontravam representados nos meios de comunicação e por fim a criação de comunidade.

Antena Negra: La comunicación no es mercancía. Foto: Marie Trigona.

Uma longa luta que remonta aos movimentos artísticos e cinematográficos latino-americanos dos anos 60 e 70 e que atravessou a violenta ditadura de Jorge Videla que durou até 1983. Grupos argentinos como Cine de la Base e Cine Liberación deixaram um grande legado de cinema de intervenção sobre a luta das classes trabalhadoras e de libertação nacional.

Os media corporativos reagiram por sua vez com as acusações da nova lei ser um ataque à liberdade de imprensa e possibilitar o controle governamental sobre a informação. O grupo Clarín, uma das companhias líderes na América Latina com mais de 250 jornais, rádios e canais de televisão e de televisão por cabo, a Telefónica e a Telecom estão entre os maiores conglomerados, e formam junto com a oposição política e a International Association of Broadcasting a oposição a esta medida. Estas reações não são de estranhar já que a lei significa uma grande perda de influência para esses sectores da sociedade e para o grupo Clarín inclui a obrigação de vender estações de rádio, canais de televisão e parte da sua rede de TV por cabo, negócio sobre o qual detinha uma posição dominante.

Mais informação em

Community on the Airwaves: End to Dictatorship Media Law in Argentina por Marie Trigona
Medios de comunicación comunitarios argentinos luchan por tener acceso y una reforma legal por Marie Trigona
ARGENTINA: Opposition, Media Giants to Fight New Law por Marcela Valente

via Porkupine Blog

Fontes Sofisticadas de Informação

É lançado hoje o livro Fontes Sofisticadas de Informação (pdf), de Vasco Ribeiro, que resulta de uma investigação sobre a influência das fontes na construção do noticiário político em Portugal, em quatro dos principais títulos da imprensa diária portuguesa: Correio da Manhã, Público, Diário de Notícias e Jornal de Notícias. Alguns excertos das conclusões do estudo:

“Também se finda esta dissertação com a certeza da hegemonia das fontes oficiais, que constituem mais de 90% dos «fornecedores» de informação identificados.”

“Outro dado relevante é o exíguo protagonismo, enquanto fonte, do cidadão anónimo no noticiário político dos quatro diários. A população praticamente só é alvo de exposição mediática durante as campanhas eleitorais e por motivos pouco lisonjeiros. Num claro mimetismo das exuberantes coberturas televisivas, a intervenção dos cidadãos anónimos é requerida pela imprensa escrita tão-só para ornamentar e ritmar as notícias. Logo, com uma preocupação mais estética do que propriamente informativa.”

“Mais de 60 por cento das notícias analisadas resultaram da acção de indução por parte de assessores de imprensa, relações públicas, consultores de comunicação, porta-vozes e outros peritos em ‘spin doctoring’, ou seja, são determinadas pelas chamadas fontes sofisticadas de informação”

“Outro dado que avulta desta investigação é a incapacidade do consumidor das notícias de detectar a intervenção dos técnicos de comunicação e relações públicas na construção das mesmas. Isto porque só em 1,3 por cento do total das notícias analisadas foram identificadas fontes profissionais de informação, facto que faz jus ao rótulo «sombra» frequentemente colado a estes profissionais”

“Que não haja equívocos: a assessoria de imprensa tem vindo, progressivamente, a apurar as suas técnicas e ferramentas de trabalho. De resto, verifica-se hoje uma miscigenação das relações públicas com áreas como o marketing, a gestão, o multimédia, a audiometria, a linguística e até o jornalismo tout court, com o intuito de tornar mais eficazes as estratégias de persuasão dos spin doctors. O cruzamento da assessoria de imprensa com o marketing relacional, por exemplo, tem permitido aperfeiçoar a elaboração de notas de imprensa personalizadas e de acordo com os estilos e normas de escrita de cada jornal.”

Ou seja, quem faz as notícias sobre política são os assessores de imprensa dos grandes partidos, e as pessoas que consomem esses produtos ignoram esse facto. Digo eu que o ignoram apesar das evidências em contrário: a promiscuidade entre o poder político e o económico que detém os órgãos informativos, as notícias descaradamente tendenciosas e comprometidas, os casos que episodicamente nos mostram parcelas do que se passa nos bastidores da indústria (in)formativa. Outro dado a reter é que somos todos “ornamentos” no gigantesco jogo de xadrez noticioso que paira sobre nós. Faça-se portanto contra-informação, tornemo-nos nós os jornalistas e façamos circular a informação de forma a que os órgãos da imprensa corporativa passem a ter o papel de “ornamentos” para o qual nos querem relegar.

Indymedia_1

Conheça o seu amigável vizinho anarquista

O que esperar de um artigo sobre um grupo anarquista na imprensa corporativa? Desinformação evidentemente. Este, com o simpático nome de Meet your friendly neighborhood anarchists não foge à regra. Para além das, aparentemente, boas intenções do articulista ao descrever as anarquistas como gente amigável, prestável e pacífica, o artigo acaba por subtrair à acção anarquista toda a sua vocação subversiva, ao torná-la “suportável para o cidadão comum”. Não nos enganemos, a anarquia crescerá sobre as ruínas da máquina mais ou menos democrática, capitalista, corporativa, hiper-tecnologica e patriarcal, como uma planta gigante a romper pelo asfalto.

Por isso, a anarquia será amigável concerteza, mas adversária também. Prestável sim, mas com critério anti-autoritário. Construtiva claro, mas ambivalentemente destrutiva.

Fica a ligação para as actividades do grupo anarquista Be your own hero, com Food Not Bombs, Critical Mass, actividades DIY (do it yourself), oficinas várias e comida vegetariana.

Sarkozy e CIA

A internet foi desenvolvida nos anos 60 e 70 nos EUA tendo por base a ideia de criar uma rede que pudesse sobreviver a uma situação de guerra sem que o acesso à sua informação ficasse comprometido. Pois é isso mesmo que acontece agora com o artigo da Rede Voltaire que relaciona Sarkozy com a CIA. A Rede Voltaire foi fechada mas a informação não se perdeu.

Continuar a ler