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¿Quién hizo el mundo?

Hacía pocos años que había terminado la guerra de
España y la cruz y la espada reinaban sobre las ruinas
de la República. Uno de los vencidos, un obrero anarquista,
recién salido de la cárcel, buscaba trabajo. En
vano revolvía cielo y tierra. No había trabajo para un
rojo. Todos le ponían mala cara, se encogían de hombros
o le daban la espalda. Con nadie se entendía, nadie
lo escuchaba. El vino era el único amigo que le quedaba.
Por las noches, ante los platos vacíos, soportaba sin decir
nada los reproches de su esposa beata, mujer de misa
diaria, mientras el hijo un niño pequeño, le recitaba el
catecismo.
Mucho tiempo después, Josep Verdura, el hijo de aquel
obrero maldito, me lo contó en Barcelona, cuando yo
llegué al exilio. Me lo contó: Él era un niño desesperado
que quería salvar a su padre de la condenación eterna y
el muy ateo, el muy tozudo, no entendía razones.
– Pero papá – le dijo Josep llorando – si Dios no existe,
¿Quién hizo el mundo?
– Tonto – dijo el obrero, cabizbajo, casi en secreto -.
Tonto. Al mundo lo hicimos nosotros, los albañiles.

El libro de los abrazos – Eduardo Galeano

Pontos de vista

1 Do ponto de vista do mocho, do morcego, do boémio e do ladrão, o crepúsculo é a hora do café da manhã.

A chuva é uma maldição para o turista e uma boa nova para o camponês.

Do ponto de vista dos autóctones, o que é pitoresco é o turista.

Do ponto de vista dos índios das ilhas Caraíbas, Cristóvão Colombo, com seu chapéu com plumas e sua capa de veludo vermelho, era um papagaio de dimensões nunca vistas.

2 Do ponto de vista do Sul, o verão do Norte é o inverno.

Do ponto de vista de uma minhoca, um prato de espaguetes é uma orgia.

Onde os hindus vêem uma vaca sagrada, outros vêem um grande hambúrguer.

Do ponto de vista de Hipocrátes, de Galeno, de Maimónídes e de Paracelso, existia uma doença chamada indigestão, mas nenhuma doença chamada fome.

3 Do ponto de vista do Oriente do mundo, o dia do Ocidente é a noite.

Na Índia, os que estão de luto vestem-se de branco.

Na Europa antiga, o negro, cor da terra fecunda, era a cor da vida, e o branco, cor dos ossos, era a cor da morte.

Segundo os velhos sábios da região colombiana do Chocó, Adão e Eva eram negros e negros eram seus filhos Caim e Abel. Quando Caim matou o seu irmão com um golpe de bastão, a cólera de Deus trovejou. Diante da fúria do Senhor, o assassino empalideceu de culpabilidade e de medo, e empalideceu tanto que continuou branco até morrer. Nós, os brancos, somos todos filhos de Caim.

4 Se os santos que escreveram os Evangelhos tivessem sido santas, como seria explicada a primeira noite da era cristã?

São José, contam as santas, era mal-humorado. Era o único amuado na creche em que o menino Jesus, recém-nascido, resplandescia em seu berço de palha. Todos sorriam: a Virgem Maria, os anjinhos, os pastores, as cabras, o boi, o asno, os magos que vieram do Oriente e a estrela que os conduzira até Belém. Todos sorriam, salvo um. São José, entristecido, murmurou: “Eu queria uma filha.”

Eduardo Galeano