Category Archives: controle social

Normalizar o impensável

“During the Cold War, a group of Russian journalists toured the United States. On the final day of their visit, they were asked by their hosts for their impressions. “I have to tell you,” said their spokesman, “that we were astonished to find, after reading all the newspapers and watching TV, that all the opinions on all the vital issues were, by and large, the same. To get that result in our country, we imprison people, we tear out their fingernails. Here, you don’t have that. What’s the secret? How do you do it?”

“In the British media, as in the United States, as in Australia, rapacious western actions are reported as moral crusades, or humanitarian interventions. At the very least, they are represented as the management of an international crisis, rather than the cause of the crisis.”

“The unspoken task of the reporter in Vietnam, as it was in Korea, was, to normalise the unthinkable – to quote Edward Herman’s memorable phrase. And that has not changed.”

Transcrições da palestra de John Pilger’s na Universidade de Columbia, Nova Iorque, 2006 – ‘War by Media

“O importante ensaio de Edward S. Herman, “A Banalidade do Mal”, nunca pareceu mais adequado. “Fazer coisas terríveis de um modo organizado e sistemático repousa na ‘normalização’ “, escreveu Herman. “Há habitualmente uma divisão de trabalho no fazer e no racionalizar o impensável, com a brutalização e morte directa feita por um conjunto de indivíduos … e outros a trabalharem para melhorar a tecnologia (um melhor crematório a gás, um napalm mais adesivo e com queima mais prolongada, bombas de fragmentação que penetram a carne em padrões difíceis de detectar). É função do peritos, e dos media de referência, normalizar o impensável para o público geral.”

John Pilger

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Está aí a vídeo-vigilância domiciliária

1984

O pretexto é afastar as crianças da criminalidade, o resultado é um passo de gigante em direcção ao Big Brother orwelliano. Na Inglaterra, 20 mil do que o Estado categoriza como “as piores famílias”, estão a ser colocadas sob vigilância domiciliária 24 horas por dia através de câmaras CCTV, num projecto que irá custar 400 milhões de libras. Complementarmente, seguranças privados farão inspecções regulares às casas dessas famílias.

O descaramento já dá para isto. Este novo conceito de família criminosa, em que todos, do venerável ancião ao bebé chorão, são culpados, é fantástico. As próprias visitas dessas famílias terão também o seu público do outro lado das câmaras, tendo a partir de agora de ter cuidado para não aparecerem desleixados na objectiva ou serem apanhados a tirar uma ranhola do nariz.

Repare-se na lata monumental que é apresentar uma medida destas ao público e como os governantes estão seguros de que estes absurdos são possíveis e até desejados nas sociedades supostamente modernas e democráticas. O discurso governamental veiculado pelos media não tenta sequer suavizar o impacto negativo ou as suspeitas de abusos de violação de privacidade com um discurso voltado para o superior interesse da criança, fazendo incidir a medida na sua protecção ou formação. Não! O que se pretende é evitar que as crianças se tornem criminosas. Que não venham mais tarde a incomodar as pessoas de bem, portanto.

Claro que não se trata de uma mera invasão de privacidade, é todo um processo de controle que vai criando raízes, habituação e por fim aceitação, que não tem limites conhecidos. A ciência e a técnica estão aí para fornecer novos meios aos velhos impulsos totalitarizantes.

O programa já está em andamento com duas mil famílias inseridas. Para breve, outras medidas que pugnem “pela Lei e pela Ordem” se esperam, como a possibilidade dos pais cujos filhos sejam comportadinhos na escola poderem apresentar queixa dos pais com filhos perturbadores.

“This is all much too little, much too late. This Government has been in power for more than a decade during which time anti-social behaviour, family breakdown and problems like alcohol abuse and truancy have just got worse and worse.”

[É muito pouco e muito tarde. Este governo está no poder há mais de uma década, durante a qual o comportamento anti-social, a desestruturação familiar e problemas como o abuso de álcool e o absentismo escolar tornaram-se cada vez piores.]

Shadow Home Secretary Chris Grayling

A notícia também no Daily Mail

via O Vigia

mescalero

Falem mal, mas falem de Courbet

15

“A origem do Mundo”, 1866

Manobra censória boomerang da PSP numa feira do livro em Braga. São apreendidos livros com a capa da obra do pintor realista (e anarquista) Gustave Courbet, “A origem do Mundo”. Quanto mais nos censurais, mais nos apetece sair da linha.

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Anúncios que olham para nós quando olhamos para eles

family

Porque cada vez mais há a necessidade de dar às pessoas o que elas querem, mesmo que elas não saibam que o querem, está em franco desenvolvimento a tecnologia de incorporar pequenas câmaras em ecrãs destinados a passar anúncios, que nos observam e nos catalogam por género, faixa etária, etnia, e que adaptam os conteúdos publicitários à medida do potencial freguês.

É o maravilhoso mundo novo a bater-nos à porta. Um programa informático encarregue de nos topar a pinta, capaz de deduzir computacionalmente os nossos desejos, e que nos tira a maçada de encontrar os melhores produtos que há no mercado para os satisfazer. O próximo passo é desenvolver tecnologia que nos entregue de imediato esses produtos, de forma a podermos voltar rapidamente ao trabalho e aumentar assim a produtividade.

notícia via CSA

mescalero

Tudo pronto para as convenções democrata e republicana…

…prometendo o protesto mais agressivo desde que em 1999 a cimeira da OMC foi fechada em Seattle. As expectativas estão altas. Entretanto, o FBI andou atrapalhadamente a tentar obter informações em grupos de jovens veganos, sobre as acções directas programadas. Um deles recusou-se a cooperar e contactou a National Lawyers’ Guild para o representar. Fica aqui um excerto da abordagem que os agentes fizeram ao jovem:

So after twenty minutes of bewildering suckups, they ask me if I’m in. They say there’s compensation if I assist in someone’s arrest. I say “ummmmmmm I’ll pass.” She says, “That was the fastest anyone has ever rejected me,” and then tried for ten more minutes to get me to change my mind before saying, “Really: think about it. We could really use you.” Then she gave me a business card. On the back she wrote me her cell phone number. I said “you have very legible handwriting,” and they both had themselves a hearty laugh. “Call if you change your mind. Don’t tell any of your friends about this and don’t show anyone this card.” We said our goodbyes and I haven’t heard from either of them since.”

Here’s the info from the business cards:

University of Minnesota Police
Twin Cities Campus
Erik Swanson
Police Sergeant, Investigations
Joint Terrorism Task Force
UMPD
511 Washington Ave. S.E.
Minneapolis, MN 55455
Internet: www.umn.edu/police
E-mail: swans078@umn.edu
Office : 612-624-9560
Cell : 612-290-4688
Fax : 612-626-0534

Federal Bureau of Investigation
Maureen E. Mazzola
Special Agent
111 Washington Ave. South
Suite 1100
Minneapolis, MN 55401
Telephone: 612-376-3200
Fax: 612-376-3444
Cell: 612-490-7447 (very legibly on the back)

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