Category Archives: ambiente

Alternativa para activistas empenhados, com garantia de melhores resultados que o COP15

Mije-se fluentemente e onde aprouver, com satisfação redobrada. A mãe natureza agradece.

À atenção de todos os poluídos crónicos, particularmente os da grande metrópole nortenha

“Os portuenses que moram junto à Via de Cintura Interna (VCI), na zona do Amial, “estão sujeitos a níveis de benzeno [um hidrocarboneto carcinogénico] que excedem os valores-limite de protecção à saúde humana”. Esta é a principal conclusão de um estudo apresentado ontem por Nélson Barros, do Centro de Investigação em Alterações Globais, Energia, Ambiente e Bioengenharia da Universidade Fernando Pessoa (UFP).”

Não é preciso nenhum estudo para sabermos que não há condições mínimas de salubridade para se viver num sítio como este. Mas o que é um facto é que a modernidade entrou-nos pelas casas dentro enquanto a maioria andava distraída com as luzinhas dos shoppings.

O que fazer quanto a isto? Elaborar políticas ambientalmente correctas de opção por veículos menos poluentes, melhoria dos transportes públicos, redução do tráfego na cidade, etc., ou destruir o alcatrão de forma à estrada ficar intransitável e deixar crescer o verde por entre as fendas abertas? Se a primeira opção parece a mais equilibrada também é verdade que tem sido o foco das lutas ambientalistas que têm feito um perigoso jogo de compromisso que de facto nos trouxe até ao ponto em que estamos. Talvez destruir tudo também não seja a melhor opção, mas temos de começar a ponderar seriamente a possibilidade de radicalizar essas lutas e exigir muito mais de e para nós mesmos. E essa radicalização terá forçosamente que passar pela destruição de muito do que existe.

Política como continuação da guerra

A reacção é recorrente e já nos habituamos a ela. Em qualquer acção directa que fuja ao controlo dos partidos e não leve bem visíveis as suas marcas identitárias, corre sempre o boato que “alguém” há de estar por detrás daquilo. É a forma imediata e simples de enquadrar o acontecimento no terreno circunscrito da politiquice, quer porque não se concebe a intervenção social de outra forma, quer porque se lhe pretende dar outro significado, levá-lo para o campo político-partidário, desvalorizá-lo ou instrumentalizá-lo.

Isto a respeito do que o blog A-sul tem dito acerca da manifestação na zona pedonal automobilizada de Almada (ALMADA PEDONAL E O RADICALISMO AMBIENTAL, ALMADA PEDONAL, ZONA PEDONAL, DECRETAR, PEDONALIZAR, PROTESTAR!, OS CARACÓIS DA VERDE EUFÉMIA), que não tem sido pouco, e quase sempre da pior maneira. Este auto-denominado “grupo de cidadãos com preocupações ambientais” mostra-se mais preocupado em partidarizar o protesto contra a Câmara da CDU do que em debater propriamente o assunto, e até, porque não, unir esforços por uma causa que supostamente deveria ter muito de comum.

Talvez seja porque a visão ambiental que defende é bastante estreita ao não considerar a responsabilidade individual de quem usa indevidamente a zona pedonal, preferindo circunscrever o problema à má política camarária – que, diga-se de passagem, também é uma realidade, coisa que um protesto daquela natureza traz obrigatoriamente implícito – mas o tom agastado, virulento e ofensivo dos posts levam a crer que não será essa a razão e terá mais a ver com a costumeria chicana política.

«não alinhamos em extremismos que roçam , como já referimos, uma Razão paternalista que identificamos como fascizóide»

«não alinhamos nos bodes espiatórios encontrados por alguns iluminados, nem nos métodos de verdadeira guerra cívil adoptados»

«é conhecida a nossa posição contra este tipo de acção de puro terrorismo dito “ambiental”»

E por aí adiante…

A cereja em cima do bolo é a associação que o A-sul quer fazer entre os manifestantes da zona pedonal com o Movimento Verde Eufémia, talvez apelando às associações que foram feitas na altura com o BE, que, tal como agora, não passavam de manipulações e diversões para elidir o protesto em si.

Uma última nota para fazer reparar que para o A-sul a polícia não atacou à bastonada manifestantes pacíficos, pessoas com crianças ao colo e idosas pelo meio, não mandou 3 para o hospital e deteve 2, não apagou ilegalmente fotografias das câmaras dos presentes e não abordou as pessoas como capangas irracionais

“dei-te uma e volto-te a dar, filho da puta”

“se eu não estivesse fardado já te tinha fodido todo”

Para o A-sul, a polícia “repôs a ordem”. E assim, seguindo o raciocínio de Foucault, se assiste à circunstância de ser a política a prolongação da guerra (bastonada) por outros meios, ao contrário do que propôs Clausewitz originalmente.

marchacaracol

mescalero

Agricultura biológica é o melhor para África e para o mundo

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Um importante relatório publicado no final do ano passado pela United Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD) e pela United Nations Environment Programme (UNEP) é conclusivo a afirmar que a produção da agrícultura biológica e de pequena escala é a melhor maneira de combater a fome em África. O principal responsável pela UNEP diz ainda que o contributo da agricultura biológica para alimentar o mundo pode ser potencialmente muito maior. Quando práticas agrícolas sustentáveis são implementadas há efectivamente um aumento significativo na produção e os custos também baixam porque deixa de haver despesas com os produtos sintéticos. Estamos também a falar de melhorias no meio ambiente a nível da fertilidade dos solos, gestão da água, controlo de inundações e preservação da biodiversidade. Perante estes factos é irónico que a agricultura biológica seja considerada por muitos como um luxo ocidental.

“Organic agriculture can increase agricultural productivity and can raise incomes with low-cost, locally available and appropriate technologies, without causing environmental damage. Furthermore, evidence shows that organic agriculture can build up natural resources, strengthen communities and improve human capacity, thus improving food security by addressing many different causal factors simultaneously.”

4 graus

O cientista britânico Robert Watson avisa-nos hoje no Guardian para nos prepararmos para uma subida da temperatura global de 4 graus: Prepare for global temperature rise of 4C.

Fotografia: David Levene

4 graus é o suficiente para aumentar o nível das águas do mar de 20 a 60 cm até 2100, dar-se a expansão das áreas de seca, aumento da frequência de inundações, furacões e ciclones, para que milhares de milhões de pessoas fiquem em risco de não terem acesso a água, o aumento da pobreza e de doenças como a malária e o dengue, extinção de 50% das espécies, enfim, qualquer coisa parecida com o fim do mundo.

Entretanto, a contestação aos criminosos que provocam esta tragédia é reprimida pela polícia.

Adenda: a ler Ecology – The Moment of Truth—An Introduction na Monthly Review