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Como é que no futuro se vai dizer a um polícia para reprimir alguém que protesta pelos motivos que levam os próprios polícias a sentirem-se revoltados e injustiçados?

Duas semanas antes da manifestação de 29 de Maio, os dirigentes sindicais da polícia e da GNR (Sinapol, SPP e ASPP) vieram a público protestar contra as limitações impostas pelo governo aos ingressos de novos efectivos, às aposentações, às progressões nas carreiras, aos aumentos de vencimentos, etc, ditadas pelo apertão de cinto acertado entre PS e PSD. Argumentaram que destes bloqueios poderiam resultar “sérios problemas” no domínio da “segurança”. Dizendo que há “revolta na PSP”, o dirigente da ASPP Paulo Rodrigues lançou mesmo um trunfo mortífero: “Como é que no futuro se vai dizer a um polícia para reprimir alguém que protesta pelos motivos que levam os próprios polícias a sentirem-se revoltados e injustiçados?” (Público, 15 de Maio).

Resposta dada no jornal Mudar de Vida por Urbano de Campos:

«As acutilantes palavras de Paulo Rodrigues permitem-nos compreender três coisas. Uma, o digno dirigente sindical antevê, “no futuro”, que os trabalhadores que protestem por se sentirem ”revoltados e injustiçados” possam ser reprimidos por isso mesmo. Duas, o senhor Paulo Rodrigues vê nesses protestos um “problema de segurança”. Três, contra isso, o dirigente da ASPP quer uma polícia apta a cumprir o seu “trabalho” – isto é, reprimir – e para isso a polícia não pode ser posta nas condições em que estão os trabalhadores, os pensionistas, os desempregados, os pobres. Cristalino.»

Descomplicar

Não é nenhuma acção de encher o olho, nem teve grande repercussão mediática, mas veja-se como um pouco de solidariedade, uma pitada de organização e  um cheirinho de sentido de oposição às arbitrariedades dos engravatados podem dar a volta a uma má situação.

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Uns poucos sindicalistas do Sindicato de Oficios Varios de Madrid (CNT-FAI), como se pode ver nas fotos, juntaram-se há uns dias à porta da cadeia de supermercados Mercadona, a reivindicar os direitos de um trabalhador despedido. O protesto e talvez o facto de diversas pessoas terem sido convencidas pelo piquete a evitar aquele lugar de mau agoiro, levou a que uns dias depois a empresa recuasse e resolvesse repor a legalidade da situação.

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Tão simples. Vai-se para a porta, faz-se algum barulho e resolve-se o caso.

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