Category Archives: greve

[França] Informe de membros da CNT-AIT sobre as manifestações contra os planos de Sarkozy


Grevistas bloqueiam entrada da refinaria de Grandpuits. (21/10) – AP

 

A situação na França está subindo de temperatura:

Por um lado, os jovens alunos estão participando efetivamente da luta. O governo teme que essa situação possa levar a um “cenário grego”. Em 2006, a luta dos estudantes contra a “reforma do CPE” conseguiu derrubar uma lei que tinha sido aprovada.

A juventude francesa, que está sob repressão policial constante, expressa agora a sua raiva contra o sistema e especialmente contra a polícia. Houve alguns confrontos muito duros contra os agentes antidistúrbios nas cidades mais populares, nos subúrbios ao redor de Paris, mas também em cidades de toda a França.

Num primeiro momento, o governo criticou os jovens por serem manipulados e disseram que o lugar deles era na sala de aula, não na rua. Mas como o governo aprovou uma lei anos atrás que estabelecia que os adolescentes podiam ser penalmente responsáveis pelos seus atos, a juventude respondeu que se eles tinham idade suficiente para ir para a cadeia com 13 anos, também podiam discutir política e se manifestar nas ruas.

Agora o governo está tentando incitar o medo dos “jovens delinqüentes” que participam do movimento apenas para quebrar tudo e pela violência. Mas, na realidade, esses argumentos não funcionam muito bem (até agora) e as pessoas continuam apoiando o movimento.

Ademais, os trabalhadores em determinados setores estratégicos, como transportes, portos e transportes de combustível, essencialmente, mantém sua greve e até mesmo aumentaram o seu nível de luta.

Pelo menos dois terços dos depósitos de combustíveis foram deixados vazios (em parte pelo bloqueio, em parte porque as pessoas estavam com medo da escassez e correram para as bombas de gasolina… este sentimento irracional de pânico foi uma grande ajuda para os grevistas pela confusão que foi criada).

A rede de abastecimento esteve prestes a entrar em colapso. Isso levaria a um colapso total da economia, assim o próprio presidente decidiu hoje enviar o exército e a polícia para interromper o bloqueio. Os trabalhadores decidiram evitar o confronto e continuar a luta por outros meios.

Além disso, vemos o início da auto-organização em algumas áreas e cidades. Mesmo que isso ainda não tenha um caráter massivo pode ter um impacto significativo no movimento geral.

Por exemplo, em Toulouse, o sindicato local da CNT-AIT, convocou assembléias populares. A razão destas assembléias populares é para dar liberdade de expressão, para demonstrar que a política não é apenas para profissionais ou especialistas, para promover o pensamento crítico e a auto-organização.

Durante as primeiras manifestações, estas assembléias reuniam apenas 50 pessoas, mas depois o número aumentou 10 vezes (300 no dia 2 de outubro, 500 no dia 12, entre 500 e 700 no dia 16). Essas assembléias populares foram montadas com calma e determinação. Por exemplo, em 2 de outubro, quando a polícia exigiu que a assembléia fosse dissolvida, o público se recusou e continuou reunido durante 3 horas ocupando o centro da cidade sem ser incomodado. Tudo pelo poder que dela emana. Isto resultou em uma manifestação espontânea no centro da cidade. Este modelo organizacional está se expandindo, na Universidade de Mirail, cidades como Auch, Montauban, Figeac (onde existem outras seções da CNT-AIT) ou Poitiers (onde não há nenhuma).

Sobre a repressão policial, em algumas cidades os antidistúrbios estão muito nervosos. Eles agem com muita brutalidade. Na cidade de Caen dispararam à queima-roupa uma granada de gás lacrimogêneo no rosto de um manifestante. A lata de alumínio da granada se incrustou em seu crânio, e ele teve a sorte de sobreviver. A CNT-AIT de Caen está em contato com a família do manifestante. Vamos mantê-lo informado sobre este assunto. Em Montreuil, um subúrbio de Paris, um estudante foi atingido com um tiro de “flash” disparado pela polícia, o impacto na cara fez com que ele perdesse parte do rosto e pode perder um olho.

Mas em muitas outras cidades, especialmente em cidades portuárias como St Nazaire, Le Havre, Boulogne foram registrados fortes confrontos entre manifestantes e a polícia.

Desde o início do conflito mais de 2000 pessoas foram detidas durante as diversas ações.

Além dos embates mais espetaculares, muitas ações menores foram organizadas para tentar popularizar a idéia da greve geral. Por exemplo, em 13 de outubro participamos de um piquete em frente à fábrica da Peugeot em Aulnay para atrair outros trabalhadores para o movimento. Mas devemos dizer que embora muitos trabalhadores simpatizem com a causa não podem se unir ao movimento pelo montante de dívidas que eles têm que pagar. É por isso que nós estamos pensando sobre as ações que as pessoas podem fazer sem perder todo o seu salário, como a sabotagem, interrompendo a produção, bloqueios econômicos circulares… por exemplo, na biblioteca da Universidade de Paris XIII, os trabalhadores estão em greve cada um em um dia diferente. Ao fazer isso, o sistema para sem que os trabalhadores percam muito…

Tentamos ampliar os focos do movimento num sentido mais capital em seu aspecto internacional. Por exemplo, em Clermont Ferrand, o nosso sindicato local organizou durante a última manifestação um ato em solidariedade com os trabalhadores do Peru, em frente a uma loja da Zara.

Mas neste sábado começa uma semana de feriados nacionais, o governo espera que o movimento estudantil se esvazie e que o resto o siga.

Continuaremos informando…

Pelo comunismo libertário!

Longa vida anárquica!

Em solidariedade,

Membros da CNT-AIT Paris

• Imagens do protesto:

http://g1.globo.com/mundo/fotos/2010/10/veja-imagens-dos-protestos-contr…

agência de notícias anarquistas-ana

Perspectiva sobre a Huelga General

Comentário de José Antonio Gutiérrez no Anarkismo.net sobre a greve geral de amanhã no estado espanhol na qual estão empenhados os sindicatos libertários:

«la acción sirve de plataforma para acercar posiciones en el campo popular y dar unidad de propósito en la misma lucha. Ojalá que esta huelga sirva como un primer paso para construir los niveles de unidad necesarios, no solamente entre los sindicatos libertarios, sino también con los sindicatos autónomos, clasistas y de lucha. Sin esa unidad, no hay manera de tumbar esta agresión abierta contra los trabajadores que avanza en toda Europa.»

«la crisis, al menos en Europa, en lugar de estar fortaleciendo a las propuestas revolucionarias o libertarias (como se vaticinaba en un primer momento, no sin razón, debido al grado de descontento y al profundo malestar en contra del sistema, como se vio en las primeras manifestaciones contra la crisis), está fortaleciendo a la derecha neoconservadora. Lo cual demuestra que las condiciones objetivas no bastan, y que tampoco basta que las condiciones subjetivas se reduzcan al maestar generalizado y a la desconfianza del sistema. Si el proyecto libertario no se constituye en alternativa (descartamos que la socialdemocracia lo sea, porque se ha mostrado ante la clase trabajadora como una vulgar administradora neoliberal), la única que podrá capitalizar políticamente la crisis será la derecha neoconservadora. Eso se aprecia también con el ascenso del “tea party movement” en los EEUU. Creo, por consiguiente, que un aspecto fundamental es que, mediante este acercamiento en la lucha, podamos comenzar a dar pasos concretos, en un sentido programático para levantar una respuesta alternativa a la crisis y no nos quedemos solamente en la oposición a las medidas reaccionarias de los socialdemócratas o de los neoconservadores.»

Huelga General