O poder corrompe. A hierarquia é uma má forma de organização. II

O problema do poder não está no poder enquanto capacidade de fazer algo, o poder-fazer. É na relação hierárquica que se estabelece com os outros que começam a aparecer os sintomas semelhantes a ter o cérebro danificado.

Kevin Carson, numa crítica às hierarquias, comentou que é frequente o argumento de que “foi-lhes dada autoridade por alguma razão”, numa espécie de admissão de que se aceita as coisas desta forma porque “é assim que as coisas são”. Um argumento inabalável. Também repara no recurso algo habitual ao “foi decidido que ….”, preferindo a voz passiva à activa (“fulaninho decidiu que…”), para se evitar o perigo de ver a autoridade como um mero mortal, com objectivos e desejos individuais, e um julgamento subjectivo como toda a gente. Ver os que estão acima na hierarquia como iguais é um passo necessário para se poder dizer “se não é uma boa ideia, não me interessa que seja a lei” e daí concluir que “se tivéssemos tomado a decisão de forma igualitária, o erro teria sido evitado”.

A famosa experiência de Milgram sobre a obediência à autoridade (já reencenada várias vezes), mostra de forma clara que as pessoas tendem a considerar a figura de autoridade como detentora da capacidade e da responsabilidade de tomar decisões por elas, e decisões que normalmente não tomariam e até as repugnaria tomar. No caso desta experiência, a figura de autoridade é uma pessoa mais velha, ou que está sugestivamente vestida de bata branca (E), que em nome do sucesso da experiência insiste para que o sujeito (S) (quem na verdade está a ser estudado) continue a infligir choques eléctricos a outra (A) sempre que esta não responda correctamente a perguntas que lhe vai fazendo. Algumas das pessoas colocadas no papel de S, levam a tortura até níveis inaceitáveis, incluindo a morte (simuladas, claro) de A. Apenas porque a figura de autoridade que está ao lado insiste na importância de levar a experiência até ao fim. (descrição da experiência) (reencenação).

A experiência da prisão de Stanford é outro exemplo de como as hierarquias influenciam negativamente o comportamento de pessoas vulgares.

Em 1971 um grupo de psicólogos sociais, liderados por Philip Zimbardo levou a cabo uma experiência que ficou conhecida como a Experiência da Prisão de Stanford.

A experiência consistiu na simulação de uma prisão em que os papéis de guardas prisionais e de prisioneiros foram atribuídos a estudantes voluntários, com características psicológicas semelhantes e que visava estudar os efeitos psicológicos da vida numa prisão.

Previa-se uma duração de quinze dias e, segundo as regras, quem quisesse poderia abandonar a experiência a todo o momento.

Apesar das regras bem definidas e de todos os participantes saberem que se tratava de uma simulação da realidade e de um estudo científico, a verdade é que a experiência foi interrompida ao fim do sexto dia, porque os participantes começaram a viver com total entrega e intensidade os seus papéis, confundindo a representação com a realidade vivida e identificando-se com os personagens que encarnavam.

Alguns “guardas” tornaram-se especialmente violentos, abusaram da autoridade que lhes havia sido concedida e humilharam os seus “prisioneiros”, deixando mesmo de cumprir as regras da “prisão”.

Por seu lado, os “prisioneiros” foram-se tornando submissos, obedecendo gradualmente às ordens mais absurdas.

Retirado do blog Psicologia Experimental

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