Os inimigos entre nós

«Os inimigos entre nós

Neste último Fevereiro, um pequeno black bloc juntou-se a uma acção chamada “The Heart Attack” e destruiu as janelas de diversas lojas e bancos em Vancouver durante os jogos olímpicos. Na sequência do sucesso que foi esse dia que incluiu acções não violentas, a polícia procurava desesperadamente os perpetradores e prendia activistas com os mais ridículos pretextos, como andar de bicicleta pelo passeio.

Durante a convergência anti-olímpica, o director executivo da BC Civil Liberties (BCCLA), David Eby, fazia parte da equipa legal para a Rede de Resistência Olímpica (RRO). No dia seguinte ao “Heart Attack” David Eby denunciou a acção nos média corporativos. Na sequência dessa denúncia, Larry Hildes, um advogado e membro da equipa legal da RRO desassociou-se e fez declarações à Vancouver Media Coop (um serviço de notícias locais independentes).

«Há pessoas na cadeia agora que a BCCLA que é suposto lhes dar apoio jurídico está, em vez de fazer isso, a denúncia-las.” E acrescentou: “Como advogado acho que é antiético e deviam ser disciplinados pela “law society” por fazerem isso.»

Durante este período de intensa repressão policial, o blogger do Rabble.ca, e agora co-presidente do StopWar.ca, Derrick O’Keefe, sentiu que era apropriado acusar numa rede social um activista seu conhecido e camarada de assalto. Pesquisei e pedi às pessoas que haviam repostado a acusação de O’Keefe para a retirarem do ar, e mandei um email a O’Keefe a pedir-lhe para se explicar. Até hoje estou para receber uma resposta, e O’Keefe voltou a repetir a acusação no seu blog. Em 30 de Junho deste ano, poucos dias depois de um black bloc danificar lojas das empresas e incendiar carros da polícia em Toronto durante o G20, O’Keefe promoveu um website na sua conta do Twitter que exortava as pessoas a contactar a Toronto Crime Stoppers e fornecer informações sobre um homem que foi fotografado a destruir um carro da polícia.

Da mesma forma, a 27 de Junho, o conhecido activista e escritor de Toronto, Judy Rebick, disse a um serviço noticioso local que o black bloc deveria ter sido preso… “no início, antes que eles tivessem oportunidade de fazer parte de uma grande multidão.” Mais tarde, na entrevista, Rebick completou a ideia de “bom manifestante vs mau manifestante”: agora passou a haver bons militantes e maus militantes. Os bons militantes só queriam ir até o muro que foi construído para proteger os líderes do G20 e os maus militantes foram os que quebraram janelas de lojas e montras de bancos. É importante notar que Rebick prestou homenagem no seu livro Ten Thousand Roses às sufragistas pela sua luta pelo direito ao voto. As sufragistas foram uma primeira vaga de militantes feministas que se envolveram em acções diretas, como a destruição de vitrinas e a colocação de bombas.

Seguindo a deixa de Rebick, o comentarista político “progressista” Murray Dobbin sugeriu que da próxima vez que um black bloc aparecer, os activistas sociais façam cumprir a lei pelas suas próprias mãos e os “detenham, se a polícia se recusar.”
Perigoso precedente.

Agora que denunciar e desmascarar militantes foi aprovado pelas grande entidades “esquerdistas”, a caça às bruxas para identificar e entregar os “vândalos” à polícia está viva e recomenda-se nos websites “progressistas” e no Facebook. Há pessoas a vasculhar a internet à procura de provas em vídeos e fotografias, e a Polícia de Toronto criou uma página web onde as pessoas podem carregar “anonimamente” as suas próprias pistas digitais. Em Vancouver, uma manifestação pelos direitos civis organizada “de acordo com a polícia” não vai acolher o black bloc e uma organizadora diz que “não culpa a polícia necessariamente” pelos abusos contra os direitos civis que aconteceram em Toronto durante o G20. A manifestação contará com palestrantes da Stopwar.ca e da associação Civil Liberties BC.»

Rebick a falar numa manifestação de apoio a prisioneiros apenas alguns dias depois de ter apelado à prisão de militantes.

Derrick O’Keefe durante o infame debate com Harsha Walia.

David Eby, da BCCLA, a defender a sua denúncia da acção “Heart Attack”.

Murray Dobbin quer que te juntes a um grupo de vigilantes sociais.

Stimulator

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