A chefia como forma que a natureza encontrou para retirar os idiotas do fluxo produtivo

Penso ser uma percepção generalizada na sociedade que os cargos de topo numa hierarquia, empresarial ou administrativa por exemplo, não são ocupados necessariamente pelas pessoas mais capazes. Que muitas vezes são-no pelos mais incompetentes e que isso até acontece com uma regularidade assustadora. No fundo, que vivemos numa mediocracia, “uma sociedade em que as pessoas com pouco (se é que algum) talento são dominantes e altamente influentes”.

O Miguel Madeira descobriu um paper do Departamento de Economia da Universidade de Bona que afirma isso mesmo.

Competitive Careers as a Way to Mediocracy

We show that in competitive careers based on individual performance the least productive individuals may have the highest probabilities to be promoted to top positions. These individuals have the lowest fall-back positions and, hence, the highest incentives to succeed in career contests. This detrimental incentive effect exists irrespective of whether effort and talent are substitutes or complements in the underlying contest-success function. However, in case of complements the incentive effect may be be outweighed by a productivity effect that favors high effort choices by the more talented individuals.

Se bem entendi, os medíocres têm mais incentivo para competir pela promoção porque não têm a mesma segurança na manutenção da posição que têm os competentes.

Repare-se que isto trata apenas do factor competência e não mete ao barulho o que eu acho ser o factor mais importante na escalada hierárquica: o arrivismo. Estar disposto a tudo, não ter escrúpulos, ser corruptível.

O Miguel Madeira faz ainda uma consideração que este estudo tem mais a ver com o Princípio de Dilbert do que com o Princípio de Peter. Uma observação feita em boa hora porque me permitiu ficar a conhece-los:

O Princípio de Peter diz que um trabalhador competente tende a ser promovido até que as suas capacidades sejam insuficientes ou inadaptadas para a nova função, deixando então de ser competente e permanecendo por isso nesse cargo.

O Princípio de Dilbert (sim, o dos cartoons) diz que as empresas tendem a promover sistematicamente os seus empregados menos competentes para a gestão (normalmente gestão intermédia), de forma a limitar a quantidade de dano de que são capazes. (isto é música celestial aos ouvidos de um anarquista)

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Trackbacks

  • By O poder corrompe. A hierarquia é uma má forma de organização. I « on Terça-feira, 31 Agosto 2010 at 3:57 pm

    […] A chefia como forma que a natureza encontrou para retirar os idiotas do fluxo produtivo Por mescalero, em Terça-feira, 31 Agosto 2010 às 3:57 pm, em hierarquias. Sem Comentários Comente ou deixe um trackback: URL do Trackback. « Manifestação contra as deportações de ciganos […]

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