A “crise” mundial está a fazer disparar quer a procura quer a oferta no tráfico de pessoas

Já tenho escrito aqui no blog alguma coisa sobre a escravatura moderna mas o texto A escravatura não acabou no jornal Mudar de Vida acrescenta informação pertinente que não podia deixar de linkar. O último relatório do Departamento de Estado dos EUA sobre tráfico de seres humanos veio mostrar que quer a procura, quer a oferta de escravos está a disparar devido à “crise” mundial.

Esta realidade não deixa de ser uma facada cravada bem fundo no peito dos crentes na evolução da civilização e no progresso da humanidade. Não será a única mas será certamente uma das mais dolorosas. E uma realidade indegesta para os cínicos que relativizam a questão com o aumento demográfico desde os tempos da escravatura legalizada. Para estes, o facto odioso de haverem hoje muito mais pessoas escravizadas do que no tempo do tráfico negreiro é diminuido por simultaneamente haver muito mais gente no planeta, o que percentualmente torna a coisa mais equilibrada. Não sei se a percentagem é maior hoje ou há uns séculos atrás, não me dei ao trabalho de fazer as contas, mas sei que este tipo de raciocínio que transforma as pessoas em números é fruto da mentalidade desumanizadora que suporta o sistema económico, político e social que gera estas aberrações. A mesma que nestes dias se faz passear no COP15.

Como muito bem é referido no texto do Mudar de Vida

Os discursos humanistas não costumam sair duma cantilena de três “P”: prevenção, protecção e punição. Melhorar a legislação, apostar na educação, trabalhar no terreno e sensibilizar as pessoas. Demagogia por parte de quem defende um sistema económico que legitima a existência de exploradores e explorados, e cava o fosso entre os que têm tanto e os que nada têm – e por isso já nada têm a perder.

Este é o lado diplomático e mais simpático dessa mesma mentalidade destruidora. Gera um discurso de compaixão mas ao mesmo tempo firme, equilibrado, democrático sem dúvida, sem radicalismos e moderadamente galvanizador. Mas é o discurso da manutenção. E um problema da magnitude da escravatura moderna – pode ir até 27 milhões o número de escravos – não irá concerteza ser resolvido pelos que o criaram e dele beneficiam, os moderados e democratas, mas pela radicalização e revolta dos oprimidos.

Deixo as ligações para os posts sobre escravatura moderna que publiquei aqui no Agitação:

Um crime tão monstruoso – Face a face com a escravatura moderna
Factos sobre a escravatura moderna
Mais escravatura do que alguma vez na história
Superioridade moral do ocidente?
A World Enslaved

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