Voltando a 8 de Junho

Fotografia: Sophia Evans

Passou-me ao lado o resultado final do julgamento que opunha a família de Saro-Wiwa à Shell cujo resultado foi conhecido a 8 de Junho. Ainda assim fica a informação:

Houve um acordo a reconhecer a cumplicidade da petrolífera Royal Dutch/Shell, a sua subsidiária nigeriana e do seu presidente, Brian Anderson, com práticas de tortura, assassinatos, e outros abusos dos direitos humanos em meados dos anos 1990 na região Ogoni do Níger do Delta. O acordo obriga ao pagamento de 15,5 milhões de dólares.

Judith Chomsky, uma das advogadas que representou os Saro-Wiwa, cunhada de Noam Chomsky, disse no final que

“A força de espírito dos nossos clientes nesta luta de 13 anos para responsabilizar a Shell ajudou a estabelecer um princípio que vai para lá da Shell e da Nigéria – que as corporações, não importa ou quão poderosas sejam, serão obrigadas aos padrões dos direitos humanos.”

É um pensamento optimista e muito bondoso para com os sistema judiciais vindo de uma velha advogada dos direitos humanos e activista contra a guerra do Vietname. O optimismo é necessário, sem dúvida, mas não sejamos demasiado entusiastas do que sabemos perfeitamente que é uma farsa. O valor pago é uma ninharia comparado com o que a Shell arrecadou em Ogoni, o crime compensou largamente. A própria Shell chamou à compensação financeira um gesto de simpatia negando a culpa no assassinato dos “9 Ogoni”. E no mesmo momento em que a Shell é condenada pelas suas acções criminosas na Nigéria, vem a público o que faz outra corporação predadora no mesmo país.

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