Descomplicar

Não é nenhuma acção de encher o olho, nem teve grande repercussão mediática, mas veja-se como um pouco de solidariedade, uma pitada de organização e  um cheirinho de sentido de oposição às arbitrariedades dos engravatados podem dar a volta a uma má situação.

mercadona3cantos_2

Uns poucos sindicalistas do Sindicato de Oficios Varios de Madrid (CNT-FAI), como se pode ver nas fotos, juntaram-se há uns dias à porta da cadeia de supermercados Mercadona, a reivindicar os direitos de um trabalhador despedido. O protesto e talvez o facto de diversas pessoas terem sido convencidas pelo piquete a evitar aquele lugar de mau agoiro, levou a que uns dias depois a empresa recuasse e resolvesse repor a legalidade da situação.

mercadona3cantos_1

Tão simples. Vai-se para a porta, faz-se algum barulho e resolve-se o caso.

mescalero

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Comentários

  • Eugénio Calado  On Terça-feira, 14 Abril 2009 at 8:51 pm

    Isso faz-me lembrar outro caso bem sucedido:
    http://libcom.org/library/marx-makhno-meet-mcdonalds-loren-goldner

  • jaime crespo  On Terça-feira, 14 Abril 2009 at 11:19 pm

    o sindicalismo tipo CNT/FAI sempre me agradou e é por isso que sou assinante do jornal deles. por cá nem sei se A Batalha ainda existe… (já agora alguém que saiba tenha a gentileza de me informar).
    caso conseguíssemos juntar uma dúzia de malta disposta estou de acordo em fazer nascer por cá uma cnt/fai portuguesa. o desafio está lançado.

  • libertario08  On Quarta-feira, 15 Abril 2009 at 11:06 am

    Nem mais.

    Um pouco de coragem e já está.

    Abraço

  • ferroadas  On Quarta-feira, 15 Abril 2009 at 11:08 am

    O comentário anterir é meu

    Ferroadas

  • mescalero  On Quarta-feira, 15 Abril 2009 at 11:59 am

    Eugénio,

    Muito oportuno. Não é claro o que o tal de Goldner quer dizer com “o elemento decisivo para ganhar estas greves são 30-40 pessoas de fora do local de trabalho” mas a preocupação do colectivo do libcom com o controle e a manipulação da greve por activistas “profissionais” parece-me avisada. Não que tenha acontecido neste caso, mas é uma preocupação que tem de estar sempre presente porque a tentação de distorcer o sentido das reinvidicações é demasiado forte e acontece com frequência.

    Jaime Crespo,

    Lanças um desafio arrojado. No entanto, deve haver bem mais do que meia dúzia de interessados num sindicato desse tipo. Em 2006 houve uma iniciativa chamada ACInterpro que acabou por ser ilegalizada, vê em

    http://www.luta-social.org/2006/05/fundao-de-sindicato-de-base-e.html

    http://www.anarkismo.net/article/3131

    Quanto à Batalha, deixei de ser assinante em 2005 mas ainda deve existir. A morada e apartado que tenho aqui numa edição de 2005 do jornal é esta

    Az. da Alagueza, Lote X, C/V – Esq
    1800-005 Lisboa
    Apartado 50085
    1702-001 Lisboa

  • Eugénio Calado  On Quarta-feira, 15 Abril 2009 at 12:46 pm

    Já li esse texto do Goldner há algum tempo mas penso,terei que reler, que ele apenas fala da necessidade de se sair dos limites do local de trabalho,em termos de horizontes de lutas. E parece-me que é o que acontece também com esses sindicalistas. A diferença é que as organizações de luta como as descritas no artigo são mais ad hoc, e portanto menos permanentes, do que no caso dos sindicatos,mesmo combativos e radicais.

    Tenho a impressão que esse Goldner deve ter passado por Portugal durante o PREC. É autor de um livro que trata desse processo: Ubu Saved From Drowning: Class Struggle and Statist Containment in Portugal and Spain, 1974-77 (2000) http://home.earthlink.net/~lrgoldner/spainportugal.html

    Ele lê português.

  • Eugénio Calado  On Quarta-feira, 15 Abril 2009 at 1:27 pm

    Lembrei-me também que houve uma espécie de “diferendo” entre o Loren Goldner e membros dum colectivo associado à libcom (aufheben). Talvez isso explique a desconfiança. Realmente também me parece decisiva a união e solidariedade de classe para lá do local de trabalho. E sem essa “vanguarda”, neste caso, os trabalhadores que depois de uma experiência de luta (95 em França)se decidem organizar para uma acção concertada, de promover a acção directa, seria muito mais difícil ou impossível o tipo de lutas descritas. Seria como estar sempre a partir do zero. Já que o tal Colectivo Solidariedade se formou precisamente a partir de certas lutas, agrupando gente disposta a combater e com uma perspectiva clara do que fazer para isso. Os tais trabalhadores em situação frágil, provavelmente só ganharam consciência da sua não impotência a partir do momento em que viram a intervenção desse elemento “exterior” ao local de trabalho mas não exterior em relação à classe. E não sendo esse colectivo sequer um sindicato, não estou a ver como poderia actuar como uma vanguarda no sentido dirigente e substitucionista.
    Estou a escrever o comentário enquanto vou lendo e realmente vou confirmando o que penso. O colectivo não tenta recrutar, a não ser no sentido de aumentar a quantidade de trabalhadores que se juntam àquele tipo de piquetes. Ele diz bem, o colectivo não é um sindicato,que mesmo sendo inspirado por princípios libertários tende a agir enquanto facção disputando clientela para a sua organização.
    Claramente um dos problemas actuais para as lutas laborais é o isolamento e a extrema fragilidade dos trabalhadores.

  • jaime crespo  On Quarta-feira, 15 Abril 2009 at 4:09 pm

    caro mescalero,
    obrigado pelos endereços d’ ABatalha irei contactar e conferir o que se passa, de algum modo é um órgão histórico que seria uma pena perder.

    quanto à criação de um Sindicato Anarquista, não sei não, é que (não sendo a mesma coisa) como sou portador de uma doença nos olhos ando há meses a lançar o desafio para formar uma associação dos portadores dessa doença e até ao momento só consegui arregimentar 5 gajos…

    de qualquer forma soube da existência de uma organização chamada RUE que pugna pelo fim da UE e pela proibição dos despedimentos. tenho ido a reuniões e apesar de uma ligação umbilical da organização aos trotskistas do POUS, resolvi entrar na discussão da RUE e vou apoiá-los nas eleições europeias.

  • mescalero  On Quinta-feira, 16 Abril 2009 at 2:56 pm

    Caro Jaime,

    Sindicato, associação, colectivo, grupo de afinidade, think tank, qualquer coisa serve. O que é preciso é criar ligações e laços fortes que possam potenciar resistências. Se tu e os outros 5 não conseguírem formar a associação, façam algo mais pequeno inicialmente, um blog sobre o assunto por exemplo. É um meio onde podes conseguir muita solidariedade e com isso chegar a muita gente. Ainda ontem li um comentário no blog do Dissidente X de alguém a oferecer dinheiro para o ajudar na sua luta contra o processo do hospital Amadora Sintra.

    cumps

  • Carlos  On Quinta-feira, 16 Abril 2009 at 10:32 pm

    http://libcom.org/news/electronics-workers-save-their-jobs-15042009
    Mais simplicidade no exemplo acima. É preciso apoiar accoes semelhantes por parte dos trabalhadores portugueses. Uma fábrica vai fechar ‘a socapa? Entao nós (anarquistas, libertários, etc.) temos que ir lá e fornecer apoio nos piquetes, na comida, na organizacao e tudo o mais. Simples.

  • mescalero  On Quinta-feira, 16 Abril 2009 at 11:48 pm

    Carlos, a ideia é essa.

  • Anónimo  On Domingo, 19 Abril 2009 at 2:16 am

    mescalero:
    claro que tudo o que sirva a luta contra o capital serve.
    agradeço as informações e aqui deixo o forum que discute a doença da qual sou portador, mas que a meu ver deixa o trabalho incompleto: http://www.queratocone.org/news.php

  • jaime crespo  On Domingo, 19 Abril 2009 at 2:18 am

    o comentário anterior é meu, jaime crespo.

  • mescalero  On Segunda-feira, 20 Abril 2009 at 3:39 pm

    Caro Jaime,

    Já vi o site que indicaste, sinceramente nunca tinha ouvido falar dessa doença. Como disse acima, na blogosfera é fácil fazer divulgação, e se puder contribuir com alguma coisa diz. Não têm um banner da associação para pôr na coluna do lado esquerdo?

  • jaime crespo  On Segunda-feira, 20 Abril 2009 at 4:40 pm

    caro mescalero:
    pois tal como tu muita gente nunca ouviu falar, entre os quais alguns oftalmologistas… apesar disso é um problema que afecta cerca de 1 pessoa em cada 2000, portanto não é tão raro assim. o problema é que o seu desconhecimento leva a muitos diagnósticos e tratamentos mal feitos ou inadequados. por esse motivo é que eu estava interessado na associação, mas enfim, vamo-nos safando com o forum.
    agradeço a tua disponibilidade para divulgar e aqui vai o tag do banner:


    ou seja, eu copiei o que eles têm no forum e substituí “right” por “left”, pelo menos no fongsoi resultou pois o banner aparece no lado esquerdo.
    cumps.

  • mescalero  On Segunda-feira, 20 Abril 2009 at 6:55 pm

    O tag não apareceu mas eu fui ao fongsoi tirá-lo e ponho-o na mesma.

    cumps

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