Greve de Fome continua em Guantánamo

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Binyam Mohamed em Londres no ano 2000

Uma advogada militar dos Estados Unidos que representa um dos 242 detidos em Guantánamo disse a um jornal inglês que, incluindo o seu cliente, “pelo menos 50 pessoas estão em greve de fome, e 20 das quais estão já em perigo” no centro de detenções da Baía de Guantánamo.
A advogada, a Tenente-Coronel da Força Aérea Yvonne Bradley, disse ao The Observer, o jornal de Domingo do The Guardian, que o seu cliente, um Etíope nascido no Reino Unido e chamado Binyam Mohamed, está em perigo de vida. O “The Observer” acrescenta que, de acordo com testemunhas, os detidos em greve de fome “são atados a cadeiras e forçados a comer, e agredidos caso se neguem a fazê-lo ou resistam.”
Mohamed está em greve de fome para protestar contra o facto de ainda estar preso em Guantánamo, quatro meses depois de as acusações contra ele terem sido abandonadas.
Como afirma John Schwartz na sua reportagem de hoje no New York Times, os advogados de Mohamed estão chocados com o facto da administração de Obama ter procurado bloquear na Segunda-Feira uma acção nos tribunais em favor de Mohamed:

No caso, Binyam Mohamed, natural da Etiópia, e outros quatro detidos intentaram uma acção contra o auxílio que a empresa Boeing prestou ao organizar e planear voos para o programa da administração Bush “extraordinary rendition”, no qual suspeitos de terrorismo foram secretamente levados para outros países, onde afirmam terem sido torturados. […]
Os documentos do tribunal descrevem tratamentos horrorosos nas prisões secretas. Mohamed afirmou que, durante a sua detenção em Marrocos, “foi agredido repetidas vezes, tendo partido vários ossos, e ocasionalmente, perdendo a consciência. As suas roupas foram cortadas com um bisturi que também serviu para lhe fazerem incisões no corpo, incluindo no pénis. Depois, deitavam-lhe um líquido quente por cima das feridas que tinham sido cortadas no seu pénis. Mohamed era frequentemente ameaçado com violações, electrocução e morte.”

Os advogados da American Civil Liberties Union, que subscreveram a acção, continuam a apelar aos juízes federais para que permitam “às vítimas de tortura ir a tribunal.” Mas a advogada militar de Mohamed, a Tenente-Coronel Bradley, mostra mais preocupação com o estado físico e psicológico do seu cliente. Na Segunda-Feira, a advogada disse a Richard Norton-Taylor do The Guardian que, “Se isto se continuar a arrastar, Mohamed sairá de Guantánamo louco ou num caixão.”

Excerto inicial de um artigo do New York Times traduzido pela Amnistia Internacional Porto

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Comentários

  • Savonarola  On Domingo, 15 Fevereiro 2009 at 11:41 pm

    Mais um caso totalmente chocante passado em Guantánamo. A denúncia é fundamental, tanto mais que se esperava que a nova administração Obama iria pôr um fim a estes horrores e à própria existência de Guantánamo. Quando?

    Um abraço anarquista

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