Os racistas entre nós

Só se pode chegar a uma conclusão: nos tempos que correm não há racistas em portugal. Anda por aí tudo a dizer mal dos ciganos por receberem o RSI, não se integrarem, serem pouco higiénicos, etc. etc. Mas racistas, racistas, não há. Racistas daqueles à moda antiga que aferroavam toda uma comunidade com chavões maldizentes e transformavam o acto de um na prática de todos, desses já não há. Não se assumem. Porque eles sabem no que deu o racismo. Por isso não são racistas, são apenas e só cidadãos conscienciosos que têm o direito moral, e porque não dizer, a coragem, de dizer o que precisa ser dito, e fazer o que precisa ser feito. Assim o repetem sorrateirinho para os seus botões. “Racista não, mas observo a realidade”.

Eu, que até tenho alguns desses não-racistas na família, fico a pensar que depois desta, digamos, reformulação conceptual, não lhes podendo chamar racistas terei que lhes chamar simplesmente de filhos-da-puta.

Sem nenhuma acrimónia.

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Comentários

  • João Fernandes  On Sábado, 9 Agosto 2008 at 4:05 pm

    Obviamente que a responsabilidade é sempre individual. Quando escrevi aquilo falava particularmente do problema que existe nos dias de hoje, existe um sentimento de revolta mas nada é feito. No sentido em que muitas vezes acabamos por culpar a sociedade por todos os males, quando verdadeiramente somos nós parte dela e também responsáveis ( em parte ) pelo sucedido. A inactividade social é para mim um problema que flagela grande parte de nós, a revolta dentro dos nossos corações é muita, mas nada se faz para mudar, deixamos de aplicar o lema “Pensa globalmente, age localmente”.
    Mas pegando no exemplo que deste, o industrial obviamente que terá maior grau de responsabilidade, mas todos nós acabamos por ter, porque ao não fazer nada para parar a poluição do rio estamos a pactuar com o industrial. Da mesma forma que nenhum de nós é responsável directo do que se passa na exploração nas fábricas da Ásia por parte de grandes multinacionais do sector do calçado, mas se não boicotarmos essas mesmas multinacionais também somos responsáveis pela pobre qualidade de vida das pessoas que aí são exploradas.

  • João Fernandes  On Sábado, 9 Agosto 2008 at 10:44 pm

    manda dai o mail para se falar melhor sobre as nossas ideias… cumps

  • Fermin Salvochea  On Segunda-feira, 11 Agosto 2008 at 12:02 am

    Não diria que o problema se ponha simplesmente enquanto responsabilidade colectiva ou individual separadamente.

    Acho que as duas se imbricam, não há uma sem outra. Senão vejamos: nós somos moldados por processos colectivos, não lhes podemos fugir, para o bem e para o mal, não crescemos e temos experiências no abstracto, no vazio e sem ninguém. No entanto, enquanto indivíduos podemos modificar esses processos colectivos. No entanto o nosso alcance enquanto individuo é limitado. Facilmente no nosso grupo de amigos podemos pelo nosso exemplo dar um mote a uma mudança, mas se isso aplica a coisas estruturais (mais globais) a nossa acção enquanto indivíduos será infrutífera senão for enquadrada numa dinâmica colectiva de luta e mudança.

    Por mais que queiramos, as coisas não dependem só de nós, depende da vontade também de quem nos rodeia. E se desejamos uma mudança colectiva, faze- la individualmente seria o maior contra-senso ao que me parece. Ainda assim, a responsabilidade individual aparece sempre como importante, mas desde que seja enquadrada no colectivo.

  • din mescalero  On Segunda-feira, 11 Agosto 2008 at 2:00 pm

    joão, o meu email já está na barra do lado para se quiseres contactar mas como podes ver é mais enriquecedor o debate público

  • din mescalero  On Segunda-feira, 11 Agosto 2008 at 2:47 pm

    fermin, não sei se viste a outra parte da conversa no blog do joão.

    eu concordo contigo quando falas no contexto social em que nos inserimos e no facto dessa circunstância não poder, de forma alguma, ser ignorada.

    no entanto, para mim são duas coisas bem diferentes. a responsabilidade individual é aquela que assumo pelos meus actos e, portanto, me pode ser imputada por outrem. não implica mais ninguém. não pode implicar. deve ser perfeitamente claro que esta fronteira não pode ser ultrapassada. no exemplo que usei no blog do joão o que um cigano faz não pode significar que todos os ciganos façam o mesmo, como é feito no discurso racista. a responsabilidade é individual e não colectiva

    a outra responsabilidade, por assim dizer, é a solidariedade e a fraternidade que devemos ao nosso semelhante, e já agora a todo o meio natural. mas este tipo de responsabilidade deve resultar de uma escolha individual, livre e em consciência e não de um qualquer categórico moral, exterior ao indivíduo, que por ser exterior seria sempre uma imposição

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