
As instruções que ninguém esperava receber começaram finalmente a chegar. O governo adverte: “Previna-se e viva”, pela voz do Ministro da Agricultura, António Serrano, frisando que se trata de uma «resposta obrigatória» dos Estados-membros da Nato. As indicações começaram a ser dadas aos cidadãos de forma a que possam aumentar as suas possibilidades de sobrevivência. A par da “despensa de emergência” que deverá conter mantimentos para duas semanas sem acesso a supermercado, com biscoitos, bolachas, conservas, águas, sumos, etc. deverá ser preparada uma “mochila de emergência” contendo alimentos base e utensílios como guardanapos, fósforos, panelas pequenas, canivete multiusos e lanterna. “A ideia é criar uma cultura de segurança junto da população”.
O diligente governo empresta-nos o seu juízo avisado, expõe com zelo a nossa vulnerabilidade, explica-nos que a muralha de segurança acabará eventualmente por ceder. Prepara-nos para o pior lembrando-nos que estar mal não é razão para se deitar a perder o pouco que se tem. O medo do inimigo às portas da cidade fará, como sempre, o serviço esperado: favorecer o egoísmo em detrimento da solidariedade; o toque a reunir em torno desse bem abstracto que é a nação; o mitigar das posses e do poder da população em benefício das elites; a renúncia total à contestação interna.

Foto Lusa: António Serrano armazenando mantimentos num supermercado de Lisboa.
via Ferroadas








Comentários
Afinal o k é isto?
Vamos ser invadidos por extraterrestres?
Ou será k para deblar a crise, nos pregam um susto, morremos e assim somos menos?