Unity, Diversity and Divisiveness In Anarchism, no Porcupine Blog
Um aspecto do anarquismo que difere do marxismo socialista é que há menos divisionismo e sectarismo. Isto não quer dizer que não temos os nossos dogmáticos e puristas. Temos, mas essas pessoas são uma minoria, cada vez mais, há medida que o nosso movimento cresce e se vai implantando. Predominantemente, a tendência é que os anarquistas trabalhem em conjunto em projectos mesmo quando pertencem a diferentes tendências, e a não ver os outros como inimigos, traidores ou tolos, apenas porque têm algumas ideias diferentes.
Um exemplo entre tantos: na França, numa terra de 50 milhões de pessoas com 55 milhões de perspectivas politicas, a Alternative Libertaire (AL) e a Federation Anarchist (FA) trabalham em projectos comuns. Nenhum dos grupos perde tempo nos seus media a castigar o outro por erros doutrinários. Isto apesar do facto da AL se ter separado da FA há alguns anos atrás e a primeira ser Plataformista e a FA Sintetista. (1)
Unidade na Diversidade
É possível dividir os anarquistas de diversas formas, “anarquistas estilo-de-vida” e “anarquistas sociais”, é uma possibilidade. Reformistas e revolucionários é outra. Se estas diferenças existem em teoria, na realidade é mais complexo do que isso. Alguém pode-se envolver em várias actividades “estilo-de-vida” mas ser um membro do IWW (Industrial Workers of the World). Outro anarquista pode achar uma revolução impossível no contexto norte-americano mas achar possível noutro lado. Desde que se adira a princípios anarquistas básicos como auto-gestão, anti-capitalismo e anti-estatismo, os anarquistas não acham que a diversidade seja um problema. Quando as pessoas estão dispostas a trabalhar juntas em áreas chave como os média, os sindicatos, organizações comunitárias e reuniões anarquistas, a diversidade torna-se uma força. Os anarquistas estão divididos de muitas formas – tipo de organização escolhida, anarquistas anti-religiosos vs religiosos, tipo de economia futura, e área preferida de actividade. Assim, anarquistas que favorecem uma abordagem mais “individualista” atrairão artistas e poetas para a causa, os anarquistas religiosos são um canal para chegar àqueles que levam a sério as palavras de igualdade dos seus evangelhos e os eco-anarquistas e anarca-feministas ligam-nos aos ambientalistas e movimentos das mulheres.
O que fazer a seguir?
O anarquismo Sintetista procura unir as diversas tendências anarquistas dentro de uma mesma organização. O seu programa é portanto mais geral e os diferentes grupos que constituem a federação são livres de escolher se apoiam determinada acção ou não.

Comentários
Julgo que esta amálgama, saudável na minha opinião, não deixará no entanto de causar alguma “estranheza” e confusão na mensagem que se poderá querer passar na tentativa de “angariar” novos adeptos para a causa. No entanto, quanto a mim não restam dúvidas de que da diversidade nasce a LUZ. O problema será tentar construir um rumo objectivo e realizável com a respectiva organização que se exige.
Saudações de um Marreta criminoso…
Acho que há muitas coisas no anarquismo que causam confusão a quem vê de fora, mas isso resolve-se com mensagens claras.
Na minha modesta opinião e pelo que fui aprendendo na prática e não na teoria, o movimento anarquista nada tem de divisionista, pelo contrário, as várias formas de o compreender e/ou as várias tendências são fruto da sua riqueza e diversidade. Conheço velhos anarquistas (poucos a maioria já morreu) e nenhum pensava da mesma forma que outro, mas isso não os impediu de irem sacrificar suas vidas em prol de um ideal, nomeadamente na guerra civil espanhola. Como dizes e muito bem, a unidade na diferença está no anti-capitalismo, anti-estatismo, na auto-gestão, no mutualismo, etc..
Abraço
Trackbacks
[...] > Mais de metade dos participantes acham que o anarco-capitalismo é um problema. Um número significativo acha o mesmo do primitivismo e do sectarismo. Estou de acordo quanto ao anarco-capitalismo e ao sectarismo, embora ache que de uma forma geral os anarquistas são menos sectários do que a esquerda em geral. [...]