Utopia ineficiente
Num texto com alguns anos, o grupo nova-iorquino Curious George Brigade faz o elogio da ineficiência, económica mas essencialmente política, em oposição à sobrevalorização da eficiência na sociedade actual. Partem da premissa que a sociedade capitalista é eficiente, com a sua parafernália de máquinas e técnicas complexas, o que me parece desde logo um erro de análise. Sim, a maximização da eficiência é parte fundamental na conceptualização da sociedade tecnocientífica, industrial e capitalista, é nela que assenta grande parte da crença que vivemos no melhor dos mundos possíveis. Tudo o resto é desconsiderado porque é julgado muito bonito em teoria mas não funcionando não prática, não sendo eficiente.
Mas o que tem de eficiente a produção maciça de quinquilharia inútil para satisfazer necessidades criadas artificialmente? Nem sequer as necessidades básicas são satisfeitas se pensarmos nos milhões de pobres que há em qualquer um dos países do mundo ocidental. O sistema não é eficiente, quando muito seria mais eficiente que outros, tal como argumentam os seus indefectíveis.
A importância da eficiência numa sociedade é fulcral porque é em seu nome que se abdica de princípios fundamentais como a liberdade ou a igualdade.
Completamente de acordo. Afirmar que precisamos de um “homem forte que endireite isto” e a crença na inevitabilidade de políticos profissionais numa democracia parlamentar, são graus diferentes de concessão ao valor da eficiência em detrimento da liberdade e da autonomia individual. Ambos contribuem para a diminuição da participação e a sobreposição de uns sobre os outros, de uma minoria sobre a maioria no totalitarismo e da maioria sobre as minorias na democracia.
When consensus works, everyone can participate and all desires are taken into account. We talk of maintaining biodiversity and ethnic diversity, but what about political and tactical diversity? When the voice of every minority, faction, or individual is sacrificed in the name of efficiency, the horizon of our politics shrinks. When people are sidelined, we all lose out.
O importante aqui está logo no início, “Quando o consenso funciona”, porque para funcionar é preciso mais do que o estabelecimento de regras de discussão e decisão.
Conhecer, compreender as pessoas, estabelecer ligações e afinidades, aprofundar as relações interpessoais, tem de andar a par com a ideia de consenso, colocado ao mesmo nível de importância, transformado em táctica de transformação social. A militância impessoal é própria de funcionários, boa para quem espera cumprir-se a profecia determinista de uma revolução social vindoura, e, lá está, é “eficaz”.
mescalero