Alternativa Libertária apela à concentração de 15 de Novembro no Largo de Camões – Lisboa

A Alternativa Libertária apela á participação de todos na concentração de 15 de Novembro no Largo Camões.

Para além desta concentração estamos a mover esforços no sentido de concretizar um debate sobre os temas subjacentes a este assunto.
Contamos com todos para o manifesto contra a exploração do capital.

No passado dia 9 de Junho, pouco antes que estalasse a brutal crise financeira do capitalismo, os Ministros do Trabalho da União Europeia aprovarão, sem nenhum voto contra (apenas a abstenção do ministro Espanhol) uma proposta de modificação da actual Directiva sobre o tempo de trabalho.

JORNADAS SEMANAIS DE 60 a 65 HORAS

Segundo a nova proposta, os Estados poderão permitir aumentos da jornada de trabalho semanal até ás 60-65 horas semanais, que se aplicarão através de pactos individuais entre o empresário/patrão e o trabalhador, ainda que os acordos nas empresas (convénios laborais) fixem uma jornada inferior.Isto representa o regresso a jornadas legais de 10 a 12 horas semanais divididas por 6 dias. Está previsto que o Parlamento Europeu vote a Directiva na vésperas natalícias, o dia 19 de Dezembro.

A CRISE SOBRE AS COSTAS DA CLASSE TRABALHADORA

A Directiva das 65 horas é um dos instrumentos com que a Europa do Capital nos quer fazer pagar a crise que os patrões/banqueiros/capitalistas trouxeram à custa da sua ganância sem limites e do empobrecimento de muitas famílias. Os governos, que sempre foram cúmplices desta especulação brutal e do enriquecimento de uma pequena minoria já de si opulenta,lançam-se agora com toda a força na ajuda a estes ladrões, com ajudas astronómicas provenientes dos impostos pagos pela classe trabalhadora, e que representam um endividamento público na ordem dos 12 por cento do PIB.Durante largos tempos, se se lembram andavam irredutíveis no control do défice, e para isso fecharam escolas, hospitais, centros de saúde,fomentaram desemprego, arruinaram a Segurança Social. Não havia dinheiro,diziam eles…mas, puff…eis que se fez magia, e para os bancos e especuladores existem 20 mil milhões de euros!Mas a crise ainda mal se instalou, e o pior para a classe trabalhadora está para vir ainda e que se traduzirá em mais despedimentos, desemprego,ataques as regalias sociais, salários, hipotecas mais difíceis de pagar,deterioramento dos serviços públicos.

O Capitalismo só conhece uma forma de sair da sua crise: destruir a riqueza criada, roubar-nos os direitos sociais e aumentar a exploração até que se anime um novo ciclo…ou seja,até à próxima crise!Não esqueçamos que tudo isto está de uma forma ou de outra apoiada porto dos os Partidos e pelos Sindicatos burocráticos. O seu compromisso é aceitação disto sem muito alarido, e por isso esta questão anda muito escondida e fora de qualquer debate.

Há QUE DERROTAR A DIRECTIVA DAS 65 HORAS SEMANAIS DE TRABALHO

Porque isto significa voltar à situação de um século atrás, invalidando a jornada máxima semanal de 48 horas que a OIT oficializou em 1917, depois de lutas sociais intensas e de sacrifícios de gerações de trabalhadores que deram o corpo pelas 8 horas laborais.Porque atacam o direito dos trabalhadores à representação e negociação colectiva nos acordos de empresa, deixando assim, o trabalhador individual completamente nas mãos dos patrões.Porque, quando estão a enviar milhares de trabalhadores para o desemprego,em lugar de reduzirem o horário de trabalho para 35 horas, baixar a idade da reforma para os 60 anos e repartir o trabalho, de maneira que existe trabalho para todos, pretendem prolongar ainda mais a jornada laboral, que se vai traduzir em mais emprego ainda.

Porque a Directiva é um instrumento para baixar mais os salários (mais desemprego, mais competição, para sobreviver as pessoas aceitaram salários baixos).

Porque a medida vai agravar os problemas de saúde dos trabalhadores e da sinistralidade no trabalho Porque ela vai tornar impossível qualquer conciliação da vida laboral coma vida familiar e pessoal.Porque não é verdade que seja algo ligeiro e não nos afecte. Por exemplo,mesmo que a lei não seja aplicada em Portugal, ela vai no entanto permitir aos patrões subcontratar pessoas em países onde a lei das 60-65 horas semanais tenha sido legalizada. Deste, modo vão chantagear com ameaças de deslocalização aos países onde a Directiva esteja implantada. E os pequenos patrões não tardaram em aplica-lá, socorrendo-se ao abrigo do Tribunal Europeu de Justiça. A pretensão do capitalismo é bem clara:começar pelos países e sectores mais desprotegidos (como os precários e trabalhadores imigrantes) e acabar, passado um tempo, generalizando a prolongação da jornada de 65 horas semanais ás novas gerações.

Porque a Directiva é uma peça importante da ofensiva da Europa do Capital e dos Patrões, vindo de mão de dada com a Directiva do Retorno contra milhares de imigrantes, estes apresentados como os culpados do desemprego, que não o são.

MOBILIZAÇÃO GERAL

Não podemos confiar no Parlamento Europeu que está nas mãos de pessoas como Sarkozy e Berlusconi.

Esta agressão exige uma resposta contundente. É altura de promover debates entre os trabalhadores na fábricas, entre os estudantes nas escolas, entre as pessoas nos bairros, dentro das próprias famílias, para que se erga uma força mobilizada que lute até que todas as reivindicações sejam cumpridas e que não se fique só pelas habituais paralisações e manifestações tradicionais que nenhum fruto têm dado.

Alternativa Libertária

http://contraocapital.blogspot.com/

retirado da rede libertária

3 Respostas para “Alternativa Libertária apela à concentração de 15 de Novembro no Largo de Camões – Lisboa”

  1. Um ataque sem precedentes a todas as conquistas laborais de todo um século. Só um sistema neoliberal tão impante como este que estamos a viver permitiria o renascer de legislação tão retrógrada. Solidarizo-me na luta contra esta Directiva e darei eco no Contracorrente à concentração de 15 de Novembro. Para que o capital não actue impunemente.

    Um abraço solidário

  2. Um retrocesso sem igual na história dos direitos humanos. Sim, porque aqui tratam-se de direitos humanos e não apenas de direitos laborais.
    Depois de tantas privações e lutas, é inconcebível recuarmos 100 anos, ainda que em muitas outras regalias e direitos já tenhamos recuado muito no tempo. A luta que se exige e urge é a de não permitir que sejam desbaratados ainda mais os direitos dos trabalhadores em favor de lógicas de puro lucro capitalista e empresarial. A dignidade de quem trabalha acima de tudo.
    Saudações do Marreta.

  3. caros jorge e marreta,

    mesmo em crise o capitalismo só tende a endurecer a sua demanda pela desigualdade em favor de uns poucos. obrigado pelos vossos comentários e força na contestação

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