Deixo aqui uma pequena história contada no Guardian para se perceber como as multinacionais se movem para atingir os seus objectivos passando por cima dos interesses dos países pobres. Quem diz multinacionais diz todo o complexo político e económico internacional que envolve estados, organizações internacionais, legislação, acordos, tratados, guerras, invasões e ingerências, montado para garantir a exploração da maioria em favor da elite.
Uma empresa canadiana chamada Pacific Rim encontrou depósitos de ouro em El Salvador e obviamente quer explorar ao máximo a oportunidade. O governo de El Salvador, no entanto, acha que a extracção de ouro consome demasiada água e obriga à utilização de grande quantidade de químicos tóxicos e por isso opôs-se à Pacific Rim alegando razões ambientais. Em Março do ano passado um governo mais à esquerda com Mauricio Funes à cabeça ganha as eleições e mantêm a proibição da exploração, com o apoio de um alargado movimento social e pelo estudo de impacto ambiental de uma empresa independente norte-americana especializada em hidrogeologia e geoquímica.
O próximo passo da Pacific Rim é apresentar queixa ao TLC (Tratado de Libre Comercio entre Estados Unidos, Centroamérica y República Dominicana) ou CAFTA (Central American Free Trade Agreement). Este tratado tem mecanismos de ultrapassar as barreiras legais dos países aderentes. A chamada disputa “investidor-Estado” garante aos investidores estrangeiros o direito de levar El Salvador a um painel do Banco Mundial e processar o governo pelos prejuízos sofridos por não ter sido possível explorar o país e danificar o seu meio-ambiente.
O cinismo desta empresa e destas áreas de comércio “livre” não se fica por aqui. Como o Canadá não pertence à CAFTA a empresa canadiana Pacific Rim apresentou esta queixa através da sua subsidiária nos Estados Unidos.
O valor da compensação pretendida é da ordem dos 100 milhões de dólares, valor que é quase o dobro da ajuda dos EUA ao país. Em El Salvador, 34.6% da população vive com menos de 2 dólares por dia.
Como noutras situações semelhantes um pouco por todo o mundo, o conflito entre as corporações e as comunidades locais acaba em violência e geralmente com grande prejuízo para o lado mais fraco. Três activistas anti-minas foram já mortos desde o início do processo na CAFTA.
O governo de El Salvador tenta defender-se legalmente mas caso perca corre um risco enorme de ver outros processos idênticos surgirem. É isto o comércio “livre”. Livre para uns poucos e uma desgraça para os outros todos.
se é verdade que em relação aos compradores tradicionais de música estes “piratas” fazem mais compras online, como mostram estes números
Compared to music buyers, music sharers (pirates) are…
* 31% more likely to buy single tracks online.
* 33% more likely to buy music albums online.
* 100% more likely to pay for music subscription services.
* 60% more likely to pay for music on mobile phone.
então não se pode chamar de pirataria ao que estes fiéis e dedicados consumidores fazem. É mais prospecção de mercado ou um serviço de provas ainda não assumido pela indústria.
«Nos últimos dias, cerca de 400 reclusos do estabelecimento prisional do Linhó (Sintra) iniciaram uma greve de fome, assim como outras formas de protesto, contra a degradação do ambiente vivido nesta prisão, que teve o seu clímax em vários espancamentos de presos e na “estranha” morte de um preso no dia 16 de Janeiro.
Na noite de 18 de Janeiro, o Grupo de Intervenção dos Serviços Prisionais entrou na prisão do Linhó para atacar as greves de fome e ao trabalho apoiadas e praticadas de forma generalizada pelos reclusos, tendo usado a força de forma intimidatória e recolhido cerca de um dezena de reclusos, todos ou quase todos negros, para os transferirem para a mal afamada cadeia de Monsanto.
O Jornal i colocou a 28 personalidades portuguesas a pergunta “É possível acabar com a pobreza no mundo?”, num daqueles aborrecidos exercícios especulativos a que as figuras públicas, por vezes, são chamadas a participar. Trata-se dos melhores entre nós, do escol, da crème de la crème, políticos, artistas, académicos, economistas, gente que está no topo da hierarquia social, e tudo o que têm para nos dizer é mais do mesmo. Melhores políticos, reforço da agenda da ONU contra a pobreza, combate à corrupção, incentivo à economia, caridade, educação, acabar com os muitíssimos ricos. O filósofo José Gil ainda chega a falar na substituição do sistema capitalista, mas acrescenta de seguida, como que a emendar a mão, que ninguém sabe como fazê-lo. Mostra o doce e depois esconde-o perversamente atrás das costas.
“É impossível responder. Implicaria a substituição total do sistema capitalista que hoje gere o planeta e ninguém sabe como fazê-lo. Andam todos os pensadores, todos os socialistas e toda a esquerda a ver se dizem qualquer coisa de novo e não sai nada.”
É esta a opinião mais ousada deste grupo de ilustres. As propostas para uma ambiciosa resolução de um problema como a pobreza são tudo menos ambiciosas e passam, regra geral, pela intensificação do que de alguma forma já existe. Não há nada de novo e não há intenção de terminar alguma coisa do que já existe. Se exceptuarmos a proposta “o problema está nos riquíssimos” de Vitorino de Almeida, nenhum deles toca sequer no statu quo, numa demonstração do que é moderação e bom comportamento vinda da elite. É esta a tónica dominante entre estes ilustres, moderação e acatamento das regras do jogo. Até os comunistas Carlos Carvalhas e Odete Santos afinam por este diapasão, no que se tem tornado norma nos partidos de esquerda de deitarem o anti-capitalismo para trás das costas. O que temos de deitar fora não é o querer o fim da exploração, o que temos de deixar para trás são estes figurões cinzentos e imperceptíveis, minados até ao tutano com os vícios do sistema. Jorge Sampaio? Manuela Eanes? Tenho mais esperança nas formigas da minha cozinha.
Um espectáculo de moda subordinado ao tema “Homeless Chic”. A elegância de se assemelhar a um vagabundo.
Divirtam-se enquanto podem porque quando a mama acabar – e a mama eventualmente terá de acabar – o choque com a realidade vai ser doloroso. Sinceramente não vejo diferença ética entre isto e um Belmiro de Azevedo ou um Van Zeller a dissertarem sobre o aumento excessivo do salário mínimo ou da necessidade de trabalhar por metade do salário para evitar o desemprego.
Língua galega é o nome oficial no Reino da Espanha e na União Europeia do idioma natural da Comunidade Autónoma da Galiza. Esta língua é falada na Galiza, em zonas de fronteira das Astúrias e de Castela-Leão e nas comunidades de galegos emigrantes, como na Argentina, Cuba e no Uruguai (porque mais de três milhões de emigrantes galegos moram naqueles países).
O galego pode ser visto como uma forma evoluída do galego-português, como o português da Galiza (da mesma forma que se fala de ‘português de Portugal’ ou ‘português do Brasil’).
O galego-português formou-se a partir do século IX, na antiga província romana da Gallæcia e as famílias, as crianças e os jovens da Galiza pedem a solidariedade dos portugueses, com veemência especial dos minhotos, quando preparam uma greve geral nas escolas para protestar contra uma agressão histórica contra uma das fortes componentes da Lusofonia, o galego.
A greve foi convocada pela plataforma Queremos Galego para o dia 21 deste mês para tentar impedir a mais forte agressão contra o idioma próprio da Galiza em toda a vida democrática de Espanha.
Se para os galegos é tão importante envolver todas as pessoas com sensibilidade pela sua cultura, é importante que saibamos ser solidários com eles contra este decreto que não tem o apoio das famílias, nem dos professores, nem dos alunos.
O decreto ofensivo da Língua galega foi apresentado a meio das férias do Natal pela Junta da Galiza sob a capa da aprendizagem do inglês, prejudicando nitidamente o galego, numa acção que os linguistas da Galiza consideram uma burla tremenda porque se vende um suposto ‘trilinguismo’ — castelhano, inglês e Galego — que é impossível aplicar em quase toda a Galiza.
Com falácias sobre o inglês o que tentam é confundir a opinião pública e camuflar esta navallada contra o galego — acusam os promotores da greve geral.
O último censo da Galiza assinalava que 20% dos rapazes e raparigas entre 14 e 19 anos são analfabetos funcionais em galego. A Junta, em lugar de ajudar a resolver este gravíssimo problema, aprofunda-o e cria outros novos. Como se pode entender que se proponha como justo reduzir a presença da língua mãe no horário escolar? — perguntam os opositores deste decreto-lei que favorece o inglês e despreza o galego.
Em nome da liberdade de escolha e face à imposição unilateral de Núñez Feijóo, as comunidades educativas reclamam que se escute a sua voz, porque o decreto galegófobo não merece mais que a sua rejeição.
No dia 21 de Janeiro, os minhotos não devem esquecer um abraço de solidariedade aos galegos que lutam por um dos seus emblemas mais vivos da sua identidade como povo e baluarte da sua autonomia face à imposição castelhana sob a capa da liberdade. Não apenas por amizade aos galegos, mas porque a Lusofonia está ameaçada e ficará empobrecida na Galiza com este decreto da Junta de Nuñez Feijóo.»
And you know Christy, something happened a long time ago in Haiti and people might not want to talk about it. They were under the heel of the French, uh, you know Napoleon the third and whatever. And they got together and swore a pact to the devil. They said we will serve you if you’ll get us free from the French. True story, and so the Devil said OK it’s a deal. And they kicked the French out. You know, the Haitians revolted and got themselves free. But ever since they’ve been cursed by one thing after the other desperately poor. That island is Hispanola is one island. It’s cut down the middle. On one side is Haiti on the other side is the Dominican Republic. Dominican Republic is prosperous, healthy, full of resorts, etc. Haiti is in desperate poverty. Same island. Uh, they need to have, and we need to pray for them a great turning to God and out of this tragedy. I’m optimistic something good may come but right now we’re helping the suffering people and the suffering is unimaginable.
Para Pat Robertson a devastação do terramoto no Haiti e o caos que se está a seguir é culpa dos próprios haitianos. Este famoso e influente tele-evangelista norte-americano tem um percurso contorverso, já acusou, por exemplo, pagãos, abortistas, feministas, gays e lésbicas de serem os responsáveis do 11 de Setembro/WTC, em concordância com o seu amigo já desaparecido Jerry Falwell. É um homem de teorias muito à frente que quase fazem o nosso João César das Neves parecer um sujeito respeitável. No entanto, entre a teoria dos amaldiçoados de Pat Robertson e a dos coitadinhos infelizes a quem lhes acontece de tudo que a imprensa corporativa tem passado, a diferença não é assim tanta. Ambas investem na alienação do espectador ao não reconheceram o contexto que levou à situação de pobreza extrema e à vulnerabilidade perante uma catástrofe desta dimensão. Ambas partem do ponto de vista do observador estranho ao acontecimento, como se o mundo não estivesse já globalizado e quem ali padece não fossem os mais excluídos e marginalizados de entre todos os que, mesmo nos nossos países industrializados, são vítimas das políticas guerreiras e de esmagamento económico que se têm vindo a generalizar durante décadas e décadas e que vão abarcando a totalidade das sociedades por todo o mundo. A cereja em cima do bolo é a ajuda humanitária a servir de prova que mesmo estando nas mãos de um destino cruel e castigador, o sofrimento pode ser mitigado com remessas pontuais de boa vontade. Não há contexto, apenas gente pobre que por obra e graça do acaso, ou do karma, não tem sorte nenhuma. E bom samaritanismo internacional.
O Haiti tem um passado sangrento de colonialismo. Em 1804, os escravos lutaram pela liberdade contra a França, antiga potência colonial. Depois da libertação a França coagiu o Haiti a assumir uma dívida por perdas que equivalia a 44 vezes o actual orçamento do país. Depois, em 1915, chegaram os norte-americanos trazendo na bagagem o modo-de-vida-americano: os marines invadiram a capital, Port-au-Prince, para proteger os interesses na região. Em 1934 foram embora deixando uma guarda nacional e um ditador no poder, François Duvalier, seguido em 71 pelo seu filho Jean-Claude Duvalier. Em 1986, Jean-Claude é deposto depois de uma insurreição popular. Sucede-lhe Jean-Bretand Aristid em 1991, inimigo do Banco Mundial e do FMI, mas foi retirado do poder por um golpe de estado orquestrado pelos EUA.
Mas além das ingerências políticas e militares o Haiti teve que se ver com o “apoio” do Banco Mundial e do FMI. Acabou com taxas e subsídios seguindo as suas políticas e no entanto o seu crédito continuou congelado devido à enorme dívida externa (embora 40% dela tivesse sido contraída durante a ditadura de Duvalier). O povo do Haiti contraiu uma dívida gigantesca como paga pela sua própria opressão. A maioria da população produzia arroz e agora os produtores são pedintes e o país importa arroz dos Estados Unidos. A dívida do Haiti, tal como a de outros países pobres, coloca o país numa espécie de pobreza eterna.
«Além de prestar ajuda humanitária imediata, a resposta dos EUA ao trágico terramoto no Haiti oferece oportunidades de remodelar a disfuncionalidade de longa data do governo e da economia do Haiti, assim como de melhorar a imagem pública dos EUA na região.»
Hoje, os Estados Unidos começaram a examinar os danos causados por um terremoto devastador no Haiti esta semana. Além de fornecer assistência humanitária imediata, a resposta dos E.U.A ao trágico terremoto devem também abordar as preocupações de longa data sobre o frágil ambiente político existente na região.
A resposta do governo dos EUA deve ser ousada e decisiva. É preciso mobilizar recursos civis e militares para resgate e socorro a curto prazo e recuperação e reforma a longo prazo. O presidente Obama deve mostrar uma liderança bipartidária de alto nível. É evidente que o ex-presidente Clinton, que já tinha sido nomeado como o representante da ONU no Haiti, é uma escolha lógica. O presidente Obama também deve procurar uma figura sênior republicana, talvez o ex-presidente George W. Bush, para liderar o esforço bipartidário para os republicanos.
Uma vez no solo do Haiti, os militares dos E.U.A poderiam também interromper os vôos noturnos de cocaína para o Haiti e para a República Dominicana a partir da costa da Venezuela e lutar em contra aos esforços do presidente venezuelano Hugo Chávez para desestabilizar a ilha de Hispaniola. Esta presença militar, que deve incluir também um grande contingente da Guarda Costeira, podem também impedir qualquer movimento em grande escala por haitianos de sa?em pelo mar em embarcações frágeis e perigosas para tentar entrar ilegalmente nos E.U.A.
Os E.U.A também devem implementar um esforço forte e vigoroso de diplomacia pública para combater as propagandas negativa vindas do campo Castro-Chávez. Tal esforço também demonstrará que o envolvimento dos EUA no Caribe continua sendo uma força poderosa para o bem das Américas e ao redor do globo.
Pode-se seguir a situação do grego Christos Stratigopoulos e do italiano Alfredo Bonanno no blog After Trikala, dois anarquistas actualmente a viver sob a asa protectora do Estado grego no campo de concentração de Amfissa, acusados de terem assaltado um banco na cidade de Trikala, no centro da Grécia. A hospitalidade carcerária está a deixar Bonanno, de 72 anos, com problemas de saúde que requerem cuidados que não está a receber. O blog é feito por uns companheiros ingleses que estão em contacto directo com os detidos.
«The Passion for Freedom
Yet one more episode in the chronicles of repression is now well-known to all: on October 1 Alfredo Bonanno (from Italy) and Christos Stratigopoulos (from Greece), two anarchists who have already been hit by repression on a number of occasions, were arrested in Greece following a robbery, and imprisoned in the small town of Amfissa. It is not our intention to comment on their action, which nevertheless has our full appreciation, nor will we indulge in other details concerning the comrades’ arrest, which have been abundantly exposed in previous leaflets and communiques.
On the contrary, what we feel the urge to do here is to remind all the comrades reading these lines that Christos and Alfredo are still being detained in the concentration camp of Amfissa and that it is the case to reflect upon this with greater determination.» [ler o resto]
A correspondência pode ser enviada para
Christos Stratigopoulos
Alfredo Maria Bonanno
TZAMALA 27
33100 AMFISSA
GREECE
Benefits de solidariedade estão a ser organizados por toda a Grécia. Companheiros que queiram contribuir para o fundo de solidariedade podem contactar este email para dados bancários:
A 15 de Outubro passado, os sete saharauis defensores dos direitos humanos foram trasladados para a prisão militar de Salé depois do Tribunal de Apelação de Casablanca se ter declarado incompetente para os julgar com base em falsas acusações “de traição e conspiração com o Inimigo“. Os sete saharauis tinham permanecido incomunicáveis desde o dia da sua detenção e sequestro no aeroporto de Casablanca por parte das autoridades marroquinas, tendo sido submetidos a interrogatório e maus-tratos.
A 18 de Outubro, as autoridades penitenciárias da prisão militar de Salé entraram nas celas dos 7 activistas saharauis e tiraram-lhes todos os seus pertences (roupa, mantas…) deixando-os, se isso é possível, numa situação de ainda maior desamparo. Esta conduta vem somar-se a toda uma série de intimidações, vexames e abusos que sofreram desde o seu sequestro quando do regresso dos acampamentos de refugiados de Tindouf (na Argélia).
Segundo informações veiculadas pela Associação de Familiares de Presos e Desaparecidos Saharauis (AFAPREDESA) o estado de saúde físico e psíquico da senhora Degya Lechgar e dos seus companheiros tem-se agravado devido à falta de cuidados médicos e à sua situação, já de si grave, atendendo às sequelas de anos de encarceramento anterior e de desaparecimento forçado que sofreram.
Os familiares dos 7 sequestrados também estão a sofrer a repressão e o abuso das autoridades de ocupação marroquinas, como é o caso de Salka Dahane, irmã de Brahim Dahane, mãe de 8 filhos que, a 23 de Outubro, foi detida sob o pretexto de levar consigo 500 dirhams (equivalente a 50 €) no momento em que ia visitar o seu irmão Brahim Dahane. Foi posteriormente condenada a 2 meses de prisão, pena que foi comutada a um mês, após interposição de apelo.
Pedimos que faça o possível para menorizar esta preocupante situação.
Subscreva o apelo de do grande escritor e intelectual uruguaio Eduardo galeano:
Texto de um livro de Direito destinado a estudantes, sobre a perspectiva anarquista de oposição à Lei e ao Estado.
[...] political philosophers and, in particular, anarchists, have challenged the traditional acceptance by Western cultures of the state and its associated concept of law imposed by a sovereign. Although anarchist thought has never been regarded as “belonging” to legal philosophy, it does in my view offer some interesting contributions to an understanidng of law.
This neglect of anarchist thought is hardly suprising: law is typically regarded by legal theorists as imposing order on a society, while anarchism is frequently associated with chaos and disorder. However, while the “anarchist” label is sometimes adopted by people wishing to reject order altogether, that is not the primary use of the term is political philosophy. Anarchist theory does not reject order as such, but it does reject order imposed on a society by a centralised hierarchical authority such as a state. The political motivations behind this rejection vary considerably between anarchists: broadly speaking, some are libertarians or anarcho-capitalists who see the state as an obstacle to radical individualism or a completely free market; others hold communitarian ideals, and regard the state as a violent institution which creates inequalities between people (through institutions such as private property), which prevents people from taking responsibility for ordering their own communities, which obstructs human potential and mutual co-operation, and which perpetrates more violence and war than it prevents.
Early anarchists tended to identify the concept of law with state-based authority, meaning that their rejection of the state also entailed a rejection of law. For instance, Peter Kropotkin observed that law is seen to be remedy for all evils: “Instead of themselves altering what is bad, people begin by demanding a law to alter it. — A law about fashions, a law about mad dogs, a law about virtue, a law to put a stop to all the vices and all the evils which result from human indolence and cowards.” In placing our reliance on laws given to us by the state, according to Kropotkin, we fail to exercise our own judgement and initiative in ordering our existences, and become subservient to both the law and the state. Reliance on the state prevents us placing reliance on ourselves and from forming co-operative relationships with others. Similarly, Leo Tolstoy, a Christian anarchist, defined laws as “rules, made by people who govern by means of organised violence for non-compliance”. Rather than representing the will of the majority, for Tolstoy, law represents the subjective wishes if a few privileged people, who create laws which server their own interests and protect their private property. Tolstoy argued that the violence of law cannot be justified: if people are irrational and need violence to exist, then everybody must have the right ot use violence, not just the few who have power; if, on the other hand, people were (as he thought) rational, “then their relations should be based on reason, and not on the violence of those who happen to have seized power”.
Any anarchist rejection of law is, however, tied to its rejection of the state. Anarchism does not entail a rejection of law as such, as long as it is possible to disengage the concept of law from the presence of a state. In other words, law may be acceptable, necessary, and even positive for anarchists, as long as it is not arbitrarily imposed by a superior and oppressive institution such as the state. Such a non-state law may be difficult for modern Western lawyers to envisage: after all, our very concept of law tends to assume the existence of state coercion. But anarchists have argued that we do not need to think of laws as a hierarchical institution which forces its subjects into compliance. Nor should law necessarily be regarded merely as a set of rules or static limits. Rather, it might be “a design, an experiment, and a learning process”. More practically, it could be created and enforced by consensus and with the co-operation of all members of a society. Such a law may seem idealistic, impracticable, even impossible. (Though when we think that something is impossible it is important first to remember Foucault’s Chinese encyclopaedia. Is the object impossible, or are we simply limited in our imagination?) Clearly, a greater awareness of the law of non-Western and indigenous cultures has led in recent years to some acceptance of broader concepts of law, which are not based upon the presence of centralised state authority…
Margaret Davies, “Asking the Law Question” (3rd ed, 2008).
Este comentário foi recebido hoje num post já com mais de meio ano de uma vigília que a ACED convocou para a porta do EP de Monsanto contra os continuados abusos e clima de terror que por ali se verifica. É uma denúncia de tortura psicológica de uma familiar de um detido. A resposta ao pedido de ajuda pode ser contactar a própria ACED que tem feito um importante trabalho de denúncia desta situação crónica.
«Bom , é com grande angústia que descubro que o meu irmão, recluso no estabelecimento prisional de monsanto não é unico a sofrer agressões..Ingenuidade minha..Foi hoje dia 07.01.2010, que após várias queixas do meu irmão que resolvi tomar uma atitude (acabei de receber uma carta onde não esconde que é constantemente colocado na solitária pelo facto de ser considerado associal, ou seja por não confraternizar com ninguém). Primeiro pensei que não era possivel um recluso ser colocado na solitária sem exiistir um motivo muito forte para tal, hoje tenho a certeza que de facto algo de muito estranho se passa dentro daquela prisão. Vivo fora de Portugal, e em menos de duas semanas o meu irmão já foi in inibido duas vezes de receber visitas,”está de castigo” dizem… A carta que recebo dele, não é muito descritiva, pois sabemos que a correspondecia é violada, mas refere apenas que é praticado dentro deste estabelecimento TORTURA PSICOLOGICA..!!!Se o meu não está bem psicologicamente, se não se relaciona com ninguém para não ser considerado CONFLITUOSO, então é castigado e denominado de ASSOCIAL e vai para a solitária por esse motivo!!…Pergunto eu, quem são esses guardas???? DEUS? Ele está quase no final da pena, o que pretendem?? faze-lo ficar mais tagarelas colocando-o fechado entre 4 paredes uma semana ou 15 dias para desse silencio tirar uma lição e ficar mais falador??? Pretendem torna.lo louco para que nunca mais se integre na sociedade?? Por favor quem puder dar-me indicações do que posso fazer para tornar esta situação publica… o meu numero é 93 322 20 77
«Este ano, 2010, marca o 170º aniversário do anarquismo como uma teoria sócio-económica determinada. Com a publicação de “O Que é a Propriedade?” em 1840, de Proudhon, o que era uma tendência dentro da histórica [do socialismo] tornou-se explícito. Sim, as ideias e os movimentos libertários existiam antes de 1840 – alguns deles, tais como os radicais na Grande Revolução Francesa e os mutualistas de Lyon, influenciaram Proudhon, mas antes de 1840 estes nunca foram chamados de anarquistas. A política socialista nunca mais seria a mesma!»
‘In 1840, two short expressions, a mere seven words, transformed socialist politics forever. One, only four words long, put a name on a tendency within the working class movement: “I am an Anarchist.” The other, only three words long, presented a critique and a protest against inequality which still rings: “Property is Theft!”
‘Their author, Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865), was a self-educated son of a peasant family and his work, “What is Property?”, ensured he became one of the leading socialist thinkers of the nineteenth century. From his works and activity, the libertarian movement was born: that form of socialism based on “the denial of Government and of Property.” It would be no exaggeration to state categorically that if you do not consider property as “theft” and “despotism” and oppose it along with the state then you are not a libertarian. As George Woodcock summarised:
‘”What is Property? embraces the core of nineteenth century anarchism . . . [bar support for revolution] all the rest of later anarchism is there, spoken or implied: the conception of a free society united by association, of workers controlling the means of production. Later Proudhon was to elaborate other aspects: the working class political struggle as a thing of its own, federalism and decentralism as a means of re-shaping society, the commune and the industrial association as the important units of human intercourse, the end of frontiers and nations. But What is Property? . . . remains the foundation on which the whole edifice of nineteenth century anarchist theory was to be constructed.”’
Um novo estudo da Kellogg School of Management (“Power Increases Hypocrisy: Moralizing in Reasoning, Immunity and Behavior,” dirigido por Adam Galinsky) explora a questão das pessoas que detêm altos cargos de poder serem simultaneamente muito exigentes moralmente com os que estão abaixo na hierarquia mas muito pouco consigo mesmos.
«For instance, we saw some politicians use public funds for private benefits while calling for smaller government, or have extramarital affairs while advocating family values. Similarly, we witnessed CEOs of major financial institutions accepting executive bonuses while simultaneously asking for government bailout money on behalf of their companies.»
Os investigadores também concluíram que esta hipocrisia moral é bastante mais significativa entre os que se consideram legitimamente poderosos, do que os que pessoalmente não sentem essa legitimidade. Estes são de facto mais exigentes consigo mesmos do que o são com outros – fenómeno designado pelos investigadores de “hipercrisia”. Múltiplos estudos realizados por esta equipa apontam esta tendência – a hipercrisia – como também sendo uma característica dos desprovidos de poder.
Finalmente, Galinsky aponta a importância que estes padrões morais e de comportamento têm no alimentar das desigualdades sociais:
«Em última instância, os padrões de hipocrisia e de hipercrisia perpetuam a desigualdade social. Os poderosos impõem regras e restrições aos outros enquanto ignoram essas restrições para si mesmos, ao mesmo tempo os que não têm poder colaboram na reprodução da desigualdade social porque não sentem o mesmo direito.»
Penso que não estarei a ir longe demais ao concluir que é a própria existência de hierarquias a fomentar a desigualdade social. Afinal, quer a maior incidência de hipocrisia, quer a de hipercrisia, tem origem nos diferentes papéis que a hierarquia leva as pessoas a representar.
Os poderosos, pela própria definição do atributo que os caracteriza, são os grandes responsáveis pela desigualdade. Sejam eles mais ou menos hipócritas, são eles os directos responsáveis pelas regras e pelas restrições que impõem à sociedade. Quanto aos outros, terão obviamente que aumentar as suas expectativas, o seu criticismo, a sua exigência e levar essa atitude até às últimas consequências.
No entanto, a imagem que passa da União Europeia nos nossos media é a da comunidade mais responsável e ética, na vanguarda das preocupações sociais e ambientais.
No ano passado, no dia 27 de Dezembro, foi o início de um massacre sem nome. Bombas do exército israelita choveram sobre a população de Gaza durante três semanas, dia e noite, sem possibilidade de abrigo nem de fuga. Bombas proibidas pela Convenção de Genebra, com urânio empobrecido ou com fósforo branco.
Esse ataque foi um episódio na longa séria de punições colectivas infligidas ao povo palestino, para o castigar por ter escolhido livremente o seu governo (Hamas) e para aceitar as exigências da potência ocupante. Há três anos que a Faixa de Gaza está submetida a um bloqueio total por parte de Israel.
A ‘comunidade internacional’, liderada pelo prémio Nobel da guerra, Obama, dá a Israel, que não passa do seu braço armado no Médio Oriente, todo o apoio financeiro, logístico e diplomático necessário para cumprir esta tarefa suja: dobrar o povo palestino que resiste e é um exemplo de resistência para todos os povos do mundo.
Sabemos muito bem o que valem os nossos governos e os palestinos só podem contar com a solidariedade das populações. Várias vezes, no mês de Janeiro de 2009, milhões de pessoas, no mundo inteiro, foram para a rua para manifestar a sua solidariedade e exigir o fim dos bombardeamentos. Ao longo do ano todo, várias tentativas foram feitas para acabar com o cerco israelita: barcos tentando furar o bloqueio, campo internacional na fronteira com o Egipto (Rafah), caravanas humanitárias, etc. Esta também a crescer a campanha internacional para boicotar Israel em todos os domínios, económico, obviamente, mas também politico, académico, artístico e desportivo.
No quadro dessa mobilização, nestes últimos dias de 2009, um ano depois do início do massacre, a sociedade civil organiza uma convergência de acções em Gaza. E no resto do mundo.
Aqui em Lisboa, teve hoje uma vigília na frente da embaixada israelita. E vamos nos juntar no centro da cidade no dia 30. Comparecem para mostrar que a Palestina vive e tem que vencer.
EXIJAMOS O FIM DO CERCO DE GAZA
RESPEITO PELOS DIREITOS HUMANOS E PELA LEI INTERNACIONAL
“Está claro para todos que se é dito que um primeiro-ministro corrompe adolescentes e testemunhas em tribunal, é alguém que mata a liberdade de imprensa, é um mafioso, um assassino em massa e um tirano, que uma mente fraca pode convencer-se de que matar o tirano fará de si um herói nacional.”
Silvio Berlusconi à agência de notícias italiana Ansa
Cícero escreveu a propósito das malfeitorias de um antecessor longínquo do cargo que Berlusconi hoje ocupa que “Todos os homens honestos mataram César. A alguns faltou a arte, a outros a coragem e a outros a oportunidade, mas a nenhum faltou a vontade.“ Cícero não poderia prever o poder sobre as massas que a indústria de propaganda viria a adquirir, senão teria sido um pouco mais cauteloso em relação às vontades dos homens honestos.
“Majid Tavakoli, estudante iraniano que discursou numa manifestação anti-governo na universidade de Teerão, foi preso esta semana pelas autoridades iranianas. Para o humilharem, publicaram fotografias suas onde aparece com o hijab (véu), uma prática antiga que se destina a provar ao público que os membros da oposição são “menos que homens” a quem falta coragem e bravura. Mas, desta vez, os homens do movimento anti-governo responderam prontamente trocando as fotografias dos seus perfis na internet por outras onde aparecem com o hijab, transformando uma táctica de humilhação num símbolo de coragem e respeito pelos presos políticos. O hijab, normalmente visto como símbolo da opressão feminina, é assim subvertido e recriado como símbolo de resistência masculina e de solidariedade entre os membros do movimento de libertação iraniano.
Criaram ainda este vídeo impressionante.”
“Be a man é o site que está a recolher as fotografias.”
Agitação é um blog de inspiração libertária dedicado às lutas sociais em todas as suas formas de resistência, desobediência e revolta anti-autoritária. A emitir do norte de Portugal.
«Se não nos revoltamos, ou somos moralmente insensíveis ou criminosamente egoístas.»
Herbert Read
António Ferreira é um preso
político da democracia portuguesa. O seu nome está associado a várias
denúncias e é mesmo testemunha de processos judiciais envolvendo mortes
suspeitas de detidos e actividades ilícitas de funcionários e
directores. Corajosamente, denunciou violações dos direitos humanos e
corrupções. A sua permanência dentro da prisão implica um risco
eminente à sua vida, porque há já muito tempo que recebe ameaças de
morte e sofre terríveis castigos.
Presos em Luta: Agitações nas prisões Portuguesas entre 1994 e 1996. Descarregar (21.4 MB)
Jornal «O Libertário» Especial 25 de Abril 2009
Jornal de contestação, revolta e insubmissão contra todas as formas de opressão e subjugação. descarregar