Entrevista a Raoul Vaneigem

Posted in raoul vaneigem on Sexta-feira, 20 Novembro 2009 by mescalero

▴ Chris Marker’s Gay-Lussac (Paris, May 1968)
Image courtesy Peter Blum, New York.

Excertos da entrevista de Hans Ulrich Obrist a Raoul Vaneigem em Agosto deste ano para a revista e-flux. A entrevista era bastante extensa e por isso resolvi traduzir apenas algumas partes relevantes.

Hans Ulrich Obrist: Acabei de visitar Edouard Glissant [escritor, poeta, romancista, teatrólogo e ensaísta francês] e Patrick Chamoiseau [escritor francês], que escreveram um apelo a Barack Obama. Qual seria o teu apelo ou conselho a Obama?

Raoul Vaneigem: Recuso-me a cultivar qualquer tipo de relação com pessoas de poder. Concordo com os Zapatistas de Chiapas que não querem ter nada a ver nem com o Estado nem com os seus chefes, as máfias multinacionais. Eu proponho a desobediência civil de forma que as comunidades locais possam formar, coordenar e começar a auto-produzir poder natural, uma forma de cultivo mais natural e serviços públicos finalmente libertos dos esquemas do governo quer seja de direita ou de esquerda. Por outro lado, dou as boas-vindas ao apelo de Chamoiseau, Glissant e os seus amigos para a criação de uma existência em que a poesia de uma vida redescoberta coloque um fim ao estrangulamento mortal da mercadoria.

[...]

Hans Ulrich Obrist: A Internacional Situacionista definiu o situacionista como alguém que se compromete a construir situações. Que eram essas situações para ti, concretamente? Como definirias o projecto situacionista em 2009?

Raoul Vaneigem: Pelo seu próprio estilo de vida e de pensamento, o nosso grupo estava já a esboçar uma situação, como um primeiro desembarque em pleno território inimigo. A metáfora militar é questionável, mas transmite a nossa vontade em libertar a vida diária do controlo e estrangulamento de uma economia baseada na exploração lucrativa do homem. Nós formamos um grupo-em-risco que estava consciente da hostilidade do mundo dominante, da necessidade de ruptura radical, e do perigo de ceder à paranóia típica das mentes sob cerco. Mostrando os seus limites e as suas fraquezas, a experiência situacionista também pode ser vista como uma meditação crítica sobre o novo tipo de sociedade esboçada pela Comuna de Paris, o movimento Makhnovista e a República de Conselhos dizimada por Lenine e por Trotsky, pelas comunidades libertárias em Espanha mais tarde esmagadas pelo Partido Comunista. O projecto situacionista não é acerca do que acontece assim que a sociedade de consumo é rejeitada e uma sociedade humana genuína emerge. Ao invés, ele esclarece agora como a vida pode suplantar a sobrevivência, o comportamento predatório, o poder, o comércio e o reflexo-de-morte.

[...]

Hans Ulrich Obrist: Escreveste muito sobre a vida, não sobre a sobrevivência. Qual é a diferença?

Raoul Vaneigem: Sobrevivência é vida orçamentada. O sistema de exploração da natureza e do homem, a partir do Neolítico Médio com a agricultura intensiva, causou uma involução em que a criatividade – uma qualidade específica dos seres humanos – foi suplantada pelo trabalho, pela produção de um poder avarento. A vida criativa, como se começou a desenvolver durante o Paleolítico, declinou e deu lugar a uma luta brutal pela subsistência. A partir de então, a predação, que define o comportamento animal, tornou-se o gerador de todos os mecanismos econômicos.

[...]

Hans Ulrich Obrist: No seu livro «Making Globalization Work», Joseph Stiglitz defende uma reorganização da globalização no sentido de trazer maior justiça, a fim de diminuir os desequilíbrios mundiais. O que achas da globalização? Como é que nos podemos livrar do lucro como motivação e em vez disso procurar o bem-estar? Como é que nos livramos do imperativo do crescimento?

Raoul Vaneigem: A moralização do lucro é uma ilusão e uma fraude. Tem de haver uma ruptura definitiva com um sistema económico que tem sistematicamente propagado a ruína e a destruição ao mesmo tempo que pretende, por entre a miséria generalizada, produzir um hipotético bem-estar. As relações humanas devem substituir e terminar com as relações comerciais. A desobediência civil significa desrespeitar as decisões de um governo que defrauda os seus cidadãos para apoiar o desfalque do capitalismo financeiro. Para quê pagar impostos ao estado-banqueiro, impostos usados em vão para tentar tapar o ralo da corrupção, quando pelo contrário podemos direccioná-los para a auto-gestão de redes de energia livre em cada comunidade local? A democracia directa de conselhos auto-geridos tem todo o direito de ignorar os decretos da democracia parlamentar corrupta. A desobediência civil a um Estado que nos está a saquear é um direito. Cabe-nos aproveitar esta mudança histórica para criar comunidades onde o desejo pela vida supere a tirania do dinheiro e do poder. Não precisamos de nos preocupar nem com a dívida pública, que encobre uma enorme fraude no interesse público, nem com o artifício do lucro a que eles chamam de “crescimento.” De agora em diante, o objetivo das comunidades locais deve ser o de produzir para si próprias e para si próprias todos os bens de valor social, atendendo às necessidades de todos – necessidades autênticas, isto é, não as necessidades pré-fabricados pela propaganda consumista.

Hans Ulrich Obrist: Edouard Glissant distingue entre globalidade e globalização. A globalização elimina as diferenças e homogeneíza, enquanto globalidade é um diálogo global que produz diferenças. O que achas da sua noção de globalidade?

Raoul Vaneigem: Para mim, deve significar agir localmente e globalmente através de uma federação de comunidades em que a nossa democracia parlamentar desviadora de fundos e corrupta é tornada obsoleta pela democracia direta. Conselhos locais serão criados para tomar medidas que favoreçam o meio ambiente e a vida quotidiana de todos. Os situacionistas chamaram a isto “criar situações que excluam qualquer retrocesso.”

[...]

Hans Ulrich Obrist: No seu livro «Utopistics», Immanuel Wallerstein afirma que o nosso sistema mundial está a passar por uma crise estrutural. Ele prevê que serão necessários mais vinte a cinquenta anos para um sistema mais democrático e igualitário substituir este. Ele acredita que o futuro pertence a instituições «desmercantilizadas» e livres de custo (segundo o modelo, digamos, das bibliotecas públicas). Portanto, devemos opor-nos à mercantilização da água e do ar. Qual é a tua opinião?

Raoul Vaneigem: Não sei quanto tempo levará a transformação actual (esperemos que não muito, pois gostaria de a presenciar). Mas não tenho dúvidas que esta nova aliança com as forças da vida e da natureza disseminará igualdade e gratuidade. Devemos ultrapassar a nossa indignação natural pela apropriação lucrativa da nossa água, ar, solo, meio ambiente, plantas e animais. Devemos criar colectivos capazes de gerir os recursos naturais em benefício dos interesses humanos, não dos interesses do mercado. Este processo de reapropriação que eu prevejo tem um nome: auto-gestão, uma experiência tentada muitas vezes em contextos históricos hostis. Neste altura, dada a implosão da sociedade de consumo, parece ser a única solução tanto do ponto de vista individual como social.

[...]

Hans Ulrich Obrist: Poderias falar sobre o princípio da gratuitidade (estou extremamente interessado nisso; como curador de museu sempre acreditei que os museus devem ser livres – Arte para Todos, como Gilbert e George o colocam).

Raoul Vaneigem: Gratuitidade é a única arma capaz de despedaçar a poderosa máquina de auto-destruição posta em movimento pela sociedade de consumo, cuja implosão está ainda a libertar, como um gás mortal, mentalidade de sovina, cupidez, ganho financeiro, lucro e predação. Museus e cultura devem ser livres, concerteza, mas também o deviam ser os serviços públicos, actualmente presos aos esquemas das multinacionais e estados. Comboios gratuitos, autocarros, metros, cuidados de saúde, escolas livres, água livre, ar, electricidade, energia livre, tudo através de redes alternativas a serem criadas. À medida que a gratuitidade se espalha, novas redes de solidariedade erradicam o estrangulamento da mercadoria. Isto porque a vida é uma dádiva gratuita, uma criação contínua que a vil especulação do mercado nos priva.

 

 

Fortes protestos marcam celebração de revolta estudantil na Grécia

Posted in grécia on Quarta-feira, 18 Novembro 2009 by mescalero

«Hoje (17), em Atenas, milhares de pessoas participaram da marcha anual em memória a revolta estudantil de 1973 na Grécia. Aproximadamente 6.000 manifestantes engrossaram o bloco anarquista, um dos maiores dos últimos anos.

No bairro de Exarchia foram registrados fortes confrontos entre manifestantes e a polícia, onde os ativistas montaram barricadas e lançaram coquetel molotov, pedras e garrafas contra os agentes de segurança. Pelo menos 300 pessoas foram presas.

Em Tessalônica, também houve choques entre manifestantes e a polícia grega. Jovens atiraram coquetel molotov nos policiais e chegaram a quebrar janelas de bancos e queimar uma motocicleta da polícia.

Na cidade de Iráclio, na ilha de Creta, dezenas de anarquistas ocuparam a prefeitura local. Manifestantes danificaram diversos estabelecimentos comerciais de luxo e bancos 24 horas.

Em Patras, milhares de pessoas também foram para as ruas para protestar. Os manifestantes destruíram diversos bancos e carros. Muitas janelas de vidro de estabelecimentos comerciais foram quebradas.

Em 17 de novembro de 1973 estudantes foram assassinados durante uma revolta que resultou na derrota do governo militar grego, pelo menos 23 pessoas morreram e centenas foram presas, quando tanques e soldados invadiram o campus da Universidade Politécnica de Atenas. O número de mortos nunca foi oficialmente estabelecido e algumas fontes defendem que o número seja muito maior. Desde então o 17 de novembro é celebrado como um dia de revolta na Grécia.

Fotos Atenas: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1105219

Fotos Tessalônica: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1105299

Fotos Patras: http://patras.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=6408

agência de notícias anarquistas-ana»

 

Solidariedade com o CCL

Posted in ccl, solidariedade on Segunda-feira, 16 Novembro 2009 by mescalero

CCL

«O Centro de Cultura Libertária, espaço anarquista existente há 35 anos, está a ser ameaçado de despejo por parte do proprietário.

[...]

O contexto que deu origem a este caso não diz respeito apenas ao Centro de Cultura Libertária, mas a todos aqueles que se vêm a braços com a falta de escrúpulos dos senhorios e restantes especuladores imobiliários. É importante relembrar que, ainda que este processo tenha sido iniciado sob alegações do ruído excessivo produzido pelos frequentadores do Centro, estão em causa outros interesses, nomeadamente o do senhorio em rentabilizar o espaço, alugando-o por um preço bastante mais elevado do que o praticado agora.

O desaparecimento deste Centro significaria a perda de um importante espaço de reflexão, debate, luta e resistência.

À semelhança dos/as companheiros/as que lutaram para que este espaço existisse, resistiremos uma vez mais, e NÃO perderemos o CCL nem às mãos dos tribunais, nem da especulação imobiliária nem por nada.

Continuaremos a lutar para que este espaço continue!

Toda a solidariedade e apoio que possam dar força à resistência do CCL é da máxima importância e urgência.»

Conta bancária do CCL

Somália

Posted in somália on Sexta-feira, 13 Novembro 2009 by mescalero

Ainda os bons piratas somalis, dito na primeira pessoa por quem beneficia com a sua actuação.

«A expropriação bancária está tão desfasada do assalto a bancos como estão os políticos da vida real.»

Posted in grécia on Sexta-feira, 13 Novembro 2009 by mescalero

Entrevista a Yiannis Dimitrakis, libertário preso pelas forças repressivas gregas por expropriar bancos.

You justified your participation in the robbery where you were arrested by talking of an act of “expropriation”: What is the difference between an expropriation and a common robbery?

The difference is made by the subject of the action, even if for me the two terms are as detached as politicians are from real life. For a person to name their action “expropriation” they need nothing more than to pass over from their natural reaction against the conditions they are faced with, to the conscious revolutionary position: which is no other than the struggle against the powerful of this world. The difference is signified by the subject of the action.

Penso que vale bem a pena ler a entrevista toda que entra por temas sensíveis da acção libertária como a violência para com a polícia e tem alguns momentos bem conseguídos de crítica e recolocação dos problemas. Yiannis Dimitrakis dá-nos uma visão comprometida com uma luta social consequente que, concorde-se ou não com os aspectos mais polémicos, é a de quem está a dar muito e enfrenta forças poderosas e sem escrúpulos.

Baixas expectativas

Posted in Uncategorized on Segunda-feira, 9 Novembro 2009 by mescalero

Diz um estudo de uma multinacional de recursos-humanos que 72 e dois por cento das empresas portuguesas pondera baixar os prémios ou o salário base aos executivos de topo.

Será que estes ajustes, a acontecerem, são uma questão de justiça e de moralização, como é dito neste post do Delito de Opinião? É concerteza uma forma de pensar partilhada por muita gente, quer à esquerda (pela diminuição da desigualdade), quer à direita (por ser o mercado a funcionar), mas haverá realmente alguma ponta de moralidade ou de justiça na colossal desigualdade de rendimentos que existe entre trabalhadores e executivos, com ou sem ajustes, com ou sem milhares de despedimentos e ponderações sobre se se baixa ou não prémios chorudos, ou sou eu que estou a ver mal a coisa?

Não me parece. Acho é que as expectativas sobre a possibilidade de justiça e de moralidade são tão baixas, que se chama de moralização e de justiça à manutenção da situação, desde que por um momento e ainda que numa medida despicienda o topo da hierarquia partilhe as perdas do povo.

A opinião e as formas mais radicais que ela poderia assumir são logo à partida tão restritas, tão auto-limitadas, tão pouco ambiciosas, que tende para o zero a possibilidade de mudança efectiva no que diz respeito à salubrização da sociedade. Não se deseja nada de profundo ou transformador, apenas limitar os danos, arrecadar vitórias simbólicas ou morais, com que se engana a consciência.

O mérito dos que têm estado nos degraus cimeiros da hierarquia social é conseguir limitar a opinião ao inócuo, manter aceso o debate sobre tudo o que não arrisque revolucionar a ordem instituída, mantendo a ilusão da participação. As eleições são um bom exemplo e talvez dos maiores do que é o engodo lançado aos que desejam manifestar-se. Não conheço nenhuma eleição que tivesse provocado uma mudança profunda para melhor numa sociedade. No entanto, a promessa do pequeno avanço e da pequena reforma apela directamente a essa mentalidade de baixa expectativa e com isso mantém os interessados iludidos numa batalha perdida a priori. O raciocínio é que não se podendo ter o que se quer, pelo menos se tenha o que se pode. Sendo o problema deste raciocínio que o que se pode, é basicamente a manutenção da situação.

Solidariedade com as 11 pessoas detidas na manifestação anti-autoritária contra o fascismo e o capitalismo de 25 de Abril de 2007

Posted in repressão on Sexta-feira, 6 Novembro 2009 by mescalero

Parasitas essenciais

Posted in Uncategorized on Quarta-feira, 4 Novembro 2009 by mescalero

«Compreende-se que gente dos partidos e deputados sejam, como diz a DGS, “essenciais ao normal funcionamento da sociedade”. Pode perguntar-se é como, sem padeiros que lhes façam o pão, sem motoristas que os levem ao Parlamento e às sedes, sem pessoal das águas e da electricidade que lhes garanta o banho diário, a energia para os computadores e a luz para estudar os dossiês, sem educadoras e auxiliares de infantários que lhes tomem conta dos filhos enquanto trabalham e toda a mais gente não “imprescindível” nem “essencial ao normal funcionamento da sociedade”, uns e outros poderão cumprir as suas funções.» Manuel Pina, Jornal de Notícias

Não. Não se compreende em que é que deputados e burocratas de partido possam ser essenciais à sociedade. Nem sequer é para ser compreendido. É para ser aceite.

O resto que o Manuel Pina diz é óbvio, é o tipo de coisa que até devíamos estranhar alguém achar necessário escrever num jornal. Ter uma noção clara das tarefas que são essenciais numa sociedade e das pessoas que carecem de mais protecção deveria ser um dado adquirido. É umas das coisas sem que uma sociedade funcional não pode passar.

Não é o caso, mas se realmente houvesse uma crise de saúde pública, as vacinas sempre poderiam ser confiscadas pela população e distribuídas racionalmente. Sem parasitas a passar à frente dos outros.

 

Da anarquia ao anarquismo

Posted in anarquia on Terça-feira, 3 Novembro 2009 by mescalero

«Durante dezenas de milhares de anos, os seres humanos viveram em sociedades sem qualquer instituição política formal ou autoridade constituída. Acerca de 6000 anos atrás, pela altura da chamada aurora da civilização, começaram a surgir as primeiras sociedades com estruturas formais de hierarquia, comando, controle e obediência. No início, estas sociedades hierárquicas eram relativamente raras e isoladas principalmente no que é agora a Ásia e o Médio Oriente. Lentamente elas aumentaram de tamanho e influência, usurpando, por vezes conquistando e escravizando as sociedades tribais anárquicas circundantes em que a maioria dos humanos continuava a viver. Por vezes independentemente, por vezes em resposta a pressões de fora, outras sociedades tribais também desenvolviam formas hierárquicas de organização social e política. Ainda assim, antes da era da colonização europeia, grande parte do mundo permanecia essencialmente anárquico, com pessoas em várias partes do mundo a continuar a viver sem instituições formais de governo até o século XIX. Foi apenas no século XX que o globo foi definitivamente dividido em estados nacionais em competição que passaram a reclamar soberania de praticamente todo o planeta.

A ascensão e triunfo da sociedade hierárquica está longe de ter sido pacífica. A guerra e a civilização marcharam sempre de mãos dadas, deixando para trás um rasto de destruição dificilmente concebível para as suas numerosas vítimas, muitas das quais tinham pouca ou nenhuma compreensão das forças alinhadas contra elas e o seu chamado modo de vida primitivo. Foi uma disputa tão desigual como implacável.

Inocentes do que é o governo, tendo vivido sem ele toda a sua vida durante milhares de anos, as pessoas das sociedades anárquicas não tinham a concepção de anarquia como uma forma distinta de viver a vida. Viver sem governantes era algo que eles simplesmente faziam. Consequentemente, o anarquismo, a ideia que viver sem governo é um modo de vida superior, nunca lhes teria ocorrido, faltando-lhes algo com que comparar a anarquia até ao momento em que era tarde demais.

Foi apenas quando surgiram as sociedades hierárquicas que as pessoas dentro delas começaram a conceber a anarquia como uma alternativa séria. Algumas, como os antigos filósofos taoístas na China, olharam para trás para uma idade sem governação, quando as pessoas viviam em paz consigo próprias e com o mundo. Várias seitas cristãs aguardaram com expectativa a segunda vinda, quando o amor igualitário e fraternal de Cristo e dos seus discípulos triunfariam sobre o mal. Racionalistas, como Zeno, fundador do estoicismo na Grécia antiga, e mais tarde os pensadores do Renascença e do Iluminismo, previram uma nova era de luzes, em que a razão poderia substituir a coerção como a principal forma de resolver os assuntos humanos.

Apesar de nenhum destes primeiros defensores da anarquia se tenha descrito a si mesmo como anarquista, o que eles partilhavam era a oposição à autoridade coerciva e relações hierárquicas baseadas no poder, riqueza e privilégio. Em contraste com outros radicais, eles também rejeitavam qualquer papel autoritário ou de privilégio para eles próprios na luta contra a autoridade e na criação de uma sociedade livre.

Encontramos atitudes idênticas entre alguns revolucionários da era moderna. Durante a Revolução Francesa, os enragés e os radicais igualitários opuseram-se às ditaduras e governos revolucionários como sendo uma contradição nos termos, e tentaram abolir todas as distinções hierárquicas, incluindo entre governantes e governados.

Mas foi apenas por volta das revoluções de 1848 na Europa que o anarquismo começou a emergir como uma doutrina distinta.»

Do prefácio de Anarchism: A Documentary History of Libertarian Ideas, Volume One: From Anarchy to Anarchism, de Robert Graham

 

Tácticas para a anarquia

Posted in anarquia on Segunda-feira, 26 Outubro 2009 by mescalero

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«No seu livro Anarchisme et changement social, Gaetano Manfredonia faz o delineamento geral das principais tácticas usadas pelos anarquistas na sua luta. Estes pontos são uma síntese realizada por Manuel García, colaborador do portal alasbarricadas.org:

- a confrontação directa (“homens e mulheres de acção”; levantamentos camponeses e operários; luta armada na Ucrânia makhnovista, na Espanha da guerra civil, na luta contra as ditaduras militares na América Latina, …),

- o sindicalismo (intervenção não só no mundo do trabalho mas nas lutas sociais em geral, promovendo a organização horizontal dos de baixo frente à exploração e à opressão),

- a educação (propaganda, criação de escolas populares, de ateneus libertários…)

- a realização (criação no presente, aqui e agora, de espaços libertários que prefigurem a sociedade a que se aspira: cooperativas, comunidades, centros sociais, formas de relação social libertária…).

Um indivíduo, um grupo, uma organização, não têm porque se restringir a uma ou outra táctica e desprezar o resto. Pode-se usá-las simultaneamente e diria, inclusive, que o êxito da nossa acção reside em saber conjugá-las bem, dar-lhes a cada uma a importância devida e fazer uso delas na medida adequada a cada momento.

De facto, é francamente difícil prescindir de alguma das quatro patas da acção anarquista que Manfredonia enumera. Um sindicato, por exemplo, terá que fazer uso de medidas de força, distribuir propaganda pelo resto dos trabalhadores, levar a cabo tarefas de formação de militantes e procurar no funcionamento diário ser uma prefiguração da sociedade libertária.»

retirado de Ordem sem Autoridade

Onda Livre

Posted in media on Sábado, 24 Outubro 2009 by mescalero
«No próximo Sábado dia 24 de Outubro a Tertúlia Liberdade estreia-se na Rádio com o programa Onda Livre. A emissão será feita às 21 horas através da Rádio Zero. Um programa de uma hora recheado de músicas e entrevistas a não perder.
Para dar voz aos que não tem voz. Aos moradores dos bairros, aos trabalhadores precários, aos imigrantes, aos jovens e a todos que lutam por um mundo diferente e melhor. A Liberdade está no Ar.»
Rádio Zero

“Só pode ser coisa de anarquistas”

Posted in acção directa, imigração on Sábado, 24 Outubro 2009 by mescalero

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A polícia belga diz que a vandalização do escritório de uma empresa de construção civil “só pode ser coisa de anarquistas”.

Mas não, não se trata da simples tentativa de incriminar a dissidência que as polícias de todo o mundo tanto gostam de fazer. Esta empresa está a construir um novo centro de detenção de imigrantes ilegais, o que a torna cúmplice dessa política de encarceramento ilegítimo. Nas paredes foram escritos os slogans “Sem fronteiras” e “127 tris NUNCA”. Foi também espalhada tinta preta por todo o lado que danificou equipamento eléctrico e mobiliário.

Não se sabe ao certo se foram anarquistas que vandalizaram o escritório, mas o facto de se pensar que aquilo “só” poderia ter sido feito por anarquistas faz-nos pensar o que andam a fazer as outras forças que se afirmam de resistência.

via Agência de Notícias Anarquistas

Quem disse que os apoiantes de Obama não têm espírito crítico?

Posted in obama on Quinta-Feira, 22 Outubro 2009 by mescalero

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“Se Obama não terminar as guerras no Iraque e no Afeganistão, fechar Guantánamo e parar de bombardear o Paquistão, juramos pelos colhões de Deus que votamos por ele com um pouco menos de entusiasmo em 2012.”

For Fuck’s Sake (A Webcomic): Another Successful Protest

Irão: 40 blogs para controlar a opinião pública

Posted in irão on Quinta-Feira, 22 Outubro 2009 by mescalero

«Iranian Revolutionary Guard Corps (IRGC) announced that more than forty blogs have been created to struggle against IRGC’s enemies on cyber space.

These new blogs have launched to publish IRGC’s dogmas and are aiming to change people’s mind. Moreover, these blogs are intended to avoid current Iranian issues to be debated online and replace them instead with governmental propaganda.

It should be mentioned that The Islamic Revolutionary Guards Corps announced the launch of 10.000 blogs for the paramilitary Basij forces at the end of 2008 “to control the Internet and other digital devices including SMS“»

Global Voices

Para acompanhar o que vai acontecendo no Irão: Rise of The Iranian People (Tracking, reporting and analyzing the movement and events taking place in Iran)

Últimas da situação de António Ferreira

Posted in antónio ferreira de jesus, prisões on Segunda-feira, 19 Outubro 2009 by mescalero

“Após 14 dias, António Ferreira abandona greve de fome, mas continua em luta

O António encontra-se ainda no pavilhão de segurança, isolado de toda a gente, sem qualquer objecto pessoal, fechado numa cela pequena, apenas com 1 hora de “pátio”, num buraco mais pequeno que a própria cela e com uma grade no topo.

Desde a sua transferência à força para este pavilhão que António iniciou um protesto que a prisão tentou encobrir. Só agora, através da visita do advogado, confirmámos que ele nunca esteve em greve de sede e que começou a comer no dia 12 de Outubro, por razões de saúde. Tinha já debilidades e dores no aparelho digestivo. O nosso companheiro não pretende ceder nas suas reivindicações quanto às celas onde o querem pôr e, portanto, insiste na transferência para outro estabelecimento prisional.

Continuaremos a informar, assim que se souber mais novidades.”

Retirado de Rede Libertária

ACÇÃO DE SOLIDARIEDADE COM ANTÓNIO FERREIRA EM ROMA

Hoje, dia 8 de Outubro, realizou-se uma acção de solidariedade com António Ferreira junto à Embaixada Portuguesa em Roma. A acção consistiu numa concentração de 7 pessoas à porta da embaixada, distribuindo informação sobre a situação do António, enquanto outras três entraram exigindo o envio de faxes de protesto às instituições responsáveis por esta tortura. Simultaneamente meteu-se uma faixa na entrada na qual se podia ler : “BASTA TORTURE. ANTÓNIO FERREIRA LIBERO! ( por motivos técnicos não podemos mostrar as bellissimas fotos tiradas). Depois de alguma insistência foi garantido que os faxes foram enviados e que as entidades seriam informadas da situação actual do Antonio.
O objetivo foi cumprido, destabilizar o normal funcionamento desta instituição, de modo a pressionar os responsáveis pela situação actual em que Antonio se encontra e para que se apercebam que estamos atentos e solidários.

Não nos calaremos perante este silêncio!

Não vamos parar até que António esteja livre…com folclore ou sem ele!

Retirado de Rede Libertária

O comunismo

Posted in comunismo on Sexta-feira, 16 Outubro 2009 by mescalero

por Anônimo

retirado de Café Moçambique

Tudo se passa como se cada um fosse apenas cada um. Como se vivêssemos numa sonhada “diversidade absoluta”. Essa situação é muito bem exemplificada por um edifício numa metrópole: cada qual se acredita totalmente livre em seu apartamento, mas o próprio edifício em que se encontram não é expressão de suas individualidades. Isso torna esses indivíduos supostamente livres uma massa amorfa que é unificada não pela livre relação entre si, mas por uma coisa morta, o prédio. Não há, de fato, nenhuma liberdade, mas apenas utilização, tanto do edifício quanto do apartamento.

O segredo de toda dominação está em reduzir tudo ao individual, à personalidade, ocultando desse modo o comum, a inter-relação, o comunal. Assim, o poder surge separando os indivíduos do que é comum a eles e apresentando a si mesmo como sendo o que é comum a todos.

Por isso, a crítica da sociedade que só vê os “maus” dominando os “bons”, ou a “sociedade” oprimindo os “indivíduos”, ou vice-versa, faz exatamente o jogo da classe dominante.

Os comunistas, ao contrário, procuram apreender o comum, as inter-relações. Porque é ocultando de todas as maneiras as inter-relações e separando os indivíduos das relação entre si que a dominação ocorre, massificando-os. A finalidade dos comunistas, a comunidade humana mundial, ou comunismo, é a livre associação dos indivíduos. Isto é, seu objetivo é uma inter-relação, uma comunidade, que possibilite o livre desabrochar das individualidades e o livre encontro entre elas.

Tal objetivo não será alcançado pela educação (“consciência”, “moralidade”) dos indivíduos e nem alterando as relações (“meio”, “condicionamentos”) das quais eles são separados. Tudo isso reforçaria a separação entre os indivíduos e suas inter-relações, reforçando então a dominação (não importa se dominadores forem trocados por outros), por mais que o objetivo não seja este. A praxis revolucionária consiste em destruir essa separação, de modo que a dominação perca todo o seu fundamento.

***

Há milhares de anos, a humanidade vivia em agrupamentos espalhados pelo globo e isolados entre si. Essas sociedades não conheciam dinheiro, mercadoria e nem estado e quase sempre viviam em guerra umas com as outras. Serras quase intransponíveis, florestas quase intransponíveis, mares quase intransponíveis, desertos quase instransponíveis separavam essas diversas sociedades. Todos esses obstáculos naturais dificultavam muito o contato entre essas sociedades e, portanto, para os transpor, era necessário um grande sacrifício. Essa condição implicava que o contato com outros povos só podia ser feito levando-se em conta esse trabalho, esse sacrifício. Considerando-se também que cada agrupamento via os outros agrupamentos como inimigos e não-humanos (no mínimo como se fossem animais de outra espécie, no máximo, como subespécies), sempre prontos para entrar em guerra, transpor essa separação só foi possível mediante coisas que eram transportadas e que interessavam os povos separados a ponto de motivá-los a suportar todo o sacrifício de levar esses objetos de um povo a outro. O transporte dessas coisas exigia trabalho e, conseqüentemente, essas coisas só podiam ser dadas se fossem trocadas por outras coisas consideradas de mesmo valor, isto é, que tivessem a mesma quantidade de sacrifício, a mesma quantidade de trabalho, caso contrário o contato se converteria novamente em guerra e isolamento das comunidades, porque eles considerariam isso uma injustiça. Então, com base nessa separação entre as diversas comunidades, surge o mercado, primeiro com o escambo e depois com as coisas sendo trocadas por dinheiro, a representação do equivalente geral (trabalho).

O mercado surge sob o selo dessa separação. Ele unifica o separado mas só se sustenta pela separação. Depois de milhares de anos, e após um longo e tortuoso caminho, foi acontecendo algo que modificou fundamentalmente a situação: desde o século XVI, o mercado foi unificando a humanidade mundialmente, ultrapassando as separações naturais que antes eram seu fundamento. Mas o mercado se perpetuou. Quando as separações naturais são ultrapassadas, o mercado só pode continuar existindo se novas separações, dessa vez artificiais (socialmente determinadas), forem criadas: cercas, muros, polícia, fronteiras, divisão social do trabalho, propriedade privada. A mercadoria se torna algo autônomo que molda a sociedade (e destrói a natureza) para que sua condição – a separação e o trabalho a ela relacionado – não seja destruída. Nesse momento, o mercado se torna capital.

Para que esse processo simultâneo de unificação planetária da humanidade e perpetuação do mercado fosse possível, foi necessário aquilo que Marx chamou de acumulação primitiva do capital: os seres humanos são violentamente separados dos meios de produção, privados de todos meios que possibilitavam a realização e criação de seus desejos e necessidade, tornando-os proletários.

Essa privação, a instituição da propriedade privada, é a condição si ne qua non para a perpetuação do mercado, ou seja, ela é a condição fundamental para o surgimento (e, depois, para a manutenção) do capital. Separando os seres humanos dos meios de se satisfazerem, o capital não apenas faz com que eles sejam obrigados a ter dinheiro para comprá-los, como também obriga que os proletários se submetam aos proprietários privados (não importa se forem indivíduos particulares, instituições, coletividades cooperativas, comunitárias ou autogeridas, Estados – como os chamados “socialistas” – etc.), ou seja, aos detentores de dinheiro, aos capitalistas, para conseguirem o próprio dinheiro que o capital os força a ter para se satisfazerem.

Com a acumulação primitiva do capital, um órgão especializado na violência é aprimorado para garantir, com polícia e exércitos, que a propriedade privada não seja destruída pelos que são privados de propriedade, isto é, para que ela não seja destruída pelos proletários. Mediante o mercado, pela primeira vez na história, o Estado se torna absolutamente totalitário, regulando todas as inter-relações entre os indivíduos, ameaçando incessantemente com armas, bombas, cassetetes e prisões toda e qualquer tentativa dos proletários para se libertarem de sua condição. A “liberdade” (não importa se “conquistada” ou “concedida”) que o estado dá de escolher os governantes (a democracia) não somente não muda esse fato, como também ilude os proletários, fazendo-os, mediante a cidadania, participar do órgão responsável pela manutenção violenta, sanguinária e brutal de sua própria escravidão, de sua própria condição de proletários.

A mesma (i)lógica explica a divisão do mundo em fronteiras, em nações, países, pátrias, blocos etc., recriando assim artificialmente, e levando às últimas conseqüências, aquilo que era a condição mais primitiva do mercado: a separação entre as várias tribos e comunidades e a conseqüente tensão sem fim diante da guerra iminente entre si. Os diversos capitalistas (individuais ou coletivos) só podem manter o capital mundial mantendo ao mesmo tempo a tensão de um estado de guerra permanente (concorrência) em cada uma das compartimentações da sociedade que ele criou: empresas, países, política, etnias, indivíduos… Na medida em que o capital consegue dominar os proletários, estes participam de todas essas compartimentações, sendo jogados uns contra os outros em todos os tipos de guerras que a classe dominante faz entre si. Sem exceção, todas as ideologias que falam em defender a pátria, a nação, em lutar contra os imperialistas (ou a favor), em se orgulhar de ser trabalhador, em se unir contra “culpados” (bodes espiatórios), em apoiar partidos de esquerda ou de direita, em apoiar a democracia contra o fascismo ou o fascismo contra a democracia etc., procuram fazer com que os proletários se submetam aos mecanismos de compartimentação pelos quais são lançados ao matadouro e dominados. Os proletários não tem nada a fazer em nenhum tipo de guerra exceto voltar as armas contra seus superiores, contra todos esses carniceiros empresariais, militares, políticos, comerciais, gerenciais, eleitorais etc., e se solidarizar com todos os demais proletários do mundo inteiro, constituindo a comunidade humana mundial que lhes possibilite se libertar da condição de proletários, destruindo o capital juntamente com todas as suas compartimentações (política, economia, estados, empresas, propriedade privada, trabalho, família, nações etc.). Qualquer pretensão de “diálogo” ou “democracia” com os carniceiros não passa jamais de um mecanismo pelo qual se procura levar o proletariado a aceitar a carnificina que o capital os submete permanentemente, dia a dia, segundo a segundo, por sua própria natureza.

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Normalizar o impensável

Posted in controle social, guerra on Quinta-Feira, 15 Outubro 2009 by mescalero

“During the Cold War, a group of Russian journalists toured the United States. On the final day of their visit, they were asked by their hosts for their impressions. “I have to tell you,” said their spokesman, “that we were astonished to find, after reading all the newspapers and watching TV, that all the opinions on all the vital issues were, by and large, the same. To get that result in our country, we imprison people, we tear out their fingernails. Here, you don’t have that. What’s the secret? How do you do it?”

“In the British media, as in the United States, as in Australia, rapacious western actions are reported as moral crusades, or humanitarian interventions. At the very least, they are represented as the management of an international crisis, rather than the cause of the crisis.”

“The unspoken task of the reporter in Vietnam, as it was in Korea, was, to normalise the unthinkable – to quote Edward Herman’s memorable phrase. And that has not changed.”

Transcrições da palestra de John Pilger’s na Universidade de Columbia, Nova Iorque, 2006 – ‘War by Media

“O importante ensaio de Edward S. Herman, “A Banalidade do Mal”, nunca pareceu mais adequado. “Fazer coisas terríveis de um modo organizado e sistemático repousa na ‘normalização’ “, escreveu Herman. “Há habitualmente uma divisão de trabalho no fazer e no racionalizar o impensável, com a brutalização e morte directa feita por um conjunto de indivíduos … e outros a trabalharem para melhorar a tecnologia (um melhor crematório a gás, um napalm mais adesivo e com queima mais prolongada, bombas de fragmentação que penetram a carne em padrões difíceis de detectar). É função do peritos, e dos media de referência, normalizar o impensável para o público geral.”

John Pilger

Neto de Estaline processa o jornal Novaya Gazeta por difamar o seu avô

Posted in humor on Sábado, 10 Outubro 2009 by mescalero

Não devo ser o único a pensar assim

Posted in obama on Sexta-feira, 9 Outubro 2009 by mescalero

Dar o prémio Nobel da Paz a um senhor da guerra é o mesmo que dar o prémio de cozinheiro do ano a Hannibal Lecter.

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Isaltino vai ganhar em Oeiras. Viva o Isaltino!

Posted in eleições on Quinta-Feira, 8 Outubro 2009 by mescalero

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Viva também o Avelino Ferreira Torres, a Fátima Felgueiras, o Santana Lopes, o Alberto João, o Mesquita Machado, o Sócrates e os amigos deles.

Questiono-me que poderosa magia pode dar alguma credibilidade e decência a esta democracia representativa. Há pensos rápidos para estas queimaduras do terceiro grau?

Diga-se que apesar do elevado abstencionismo, pessoas sãs no que respeita ao voto, ainda são muitos os que persistem no mesmo caminho esgotado. É como jogar no Euro Milhões umas vezes a seguir às outras sem nunca sair nada, com a singela nuance de que o Euro Milhões efectivamente sai a alguém, e na política, só saírem duques e jokers.